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Líbano: “Os mísseis voam sobre as nossas cabeças”, relata bispo à Fundação AIS

03 mar, 2026 - 16:29 • Olímpia Mairos

Escalada da violência já provocou mais de 30 mil deslocados. Igreja abre escolas e paróquias para acolher famílias em fuga.

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“Os mísseis estão a voar sobre as nossas cabeças.” O relato é do bispo greco-melquita Elie Haddad, em Saida, no sul do Líbano, numa descrição dramática da nova vaga de violência que está a atingir o país e que já obrigou mais de 30 mil pessoas a abandonar as suas casas.

A declaração foi feita à Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), que acompanha no terreno a situação e mantém contacto permanente com bispos e comunidades religiosas para avaliar necessidades urgentes e prestar apoio às populações afetadas.

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De acordo com números divulgados pelo governo libanês, quase 30 mil pessoas foram forçadas a fugir após uma onda de ataques aéreos na madrugada de segunda-feira, 2 de março.

Segundo a equipa local da Fundação AIS, mais de dez bombardeamentos atingiram os subúrbios do sul de Beirute por volta das 2h30. As explosões foram ouvidas em várias regiões do país, incluindo Keserwan, além de ataques registados no sul e no Vale de Beqaa.

A escalada surge após meses de confrontos quase diários entre Israel e o Hezbollah. O lançamento de mísseis reivindicado pelo movimento xiita desencadeou uma resposta imediata e pôs fim ao frágil cessar-fogo que se mantinha nos últimos meses. Avisos de evacuação foram enviados para cerca de 50 aldeias, levando milhares de famílias a fugir, com estradas congestionadas durante horas.

Em Saida, embora a área ainda não tenha sido diretamente atingida, escolas públicas abriram portas para acolher deslocados e centros paroquiais começaram a receber famílias em fuga.

Mais a sul, em Tiro, o bispo greco-melquita Georges Iskandar afirmou à Fundação AIS que as instalações da Igreja já estão a acolher famílias cristãs e estima que cerca de 800 famílias da sua diocese possam necessitar de assistência se a escalada militar continuar.

Descrevendo o impacto humano da violência, o prelado sublinhou: “As pessoas estão exaustas, temem pelos seus filhos e pelo seu futuro, e anseiam por uma vida simples e normal… que uma criança possa ir à escola sem medo, que um idoso possa dormir tranquilamente em sua casa, que um pai e uma mãe possam trabalhar com dignidade para ganhar o seu pão de cada dia.”

E acrescentou: “Como pastor desta Igreja local, a minha principal preocupação é permanecer junto destas pessoas inocentes. Estar com elas, ouvir o seu sofrimento, rezar com elas e lembrar-lhes que a sua dignidade está salvaguardada aos olhos de Deus e que a esperança cristã não se baseia no equilíbrio de poder, mas na fé no Senhor da história, que deseja a paz para o Seu povo.”

Também o bispo maronita Charbel Abdallah, de Tiro, relatou à AIS que muitos cristãos das aldeias fronteiriças começaram já a sair, apesar de parte da população da cidade ainda permanecer nas suas casas.

No Vale de Beqaa, o bispo maronita Hanna Rahme, de Baalbek-Deir El Ahmar, explicou que famílias muçulmanas e cristãs estão novamente a procurar refúgio em Deir El Ahmar, muitas delas as mesmas que ali se abrigaram durante o conflito de 2024.

Apesar dos recursos limitados, garante que a Igreja continuará a apoiar quem precisa: “Eles são o nosso povo, cuidaremos deles com o que temos.”

A Fundação AIS mantém contacto permanente com os seus parceiros no terreno para avaliar necessidades humanitárias urgentes e apela à oração pela paz e estabilidade no Líbano e em todo o Médio Oriente.

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