Guerra Médio Oriente
D. Nuno Brás: "A Guerra no Irão e em todo o Médio Oriente prova a fragilidade do direito internacional"
05 mar, 2026 - 16:26 • Henrique Cunha
O bispo do Funchal e vice-presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia reafirma o apelo à diplomacia e alerta para as consecutivas violações do direito internacional.
O vice-presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE), D. Nuno Brás, lamenta, em declarações à Renascença, a forma "desavergonhada" como é violado o direito internacional.
“O direito internacional existe, existem os acordos entre os países, mas depois não existe uma polícia que impeça as grandes potências de fazer valer a sua força, seja em termos económicos sejam em termos militares. E isso permite-lhes violarem constantemente o direito internacional. Dantes faziam-no sempre com uma desculpa de bondade ou coisa assim parecida, agora fazem-no às claras, sem vergonha, desavergonhadamente", assinala o também bispo do Funchal.
D. Nuno Brás subscreve o apelo do presidente da COMECE, D. Mariano Crociata que, esta quinta-feira, numa declaração oficial divulgada na página da comissão, pediu o regresso da diplomacia para travar a guerra. "O diálogo e o encontro acabam por resolver muitos mais problemas do que a guerra”, enfatiza.
O bispo sublinha que “a lógica da retaliação e da vingança alimenta a violência” e as guerras em curso, “mesmo que terminassem agora, já causaram um mal tão grande que se poderia ter evitado usando a diplomacia”.
O também presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais diz que é “preciso colocar de lado a ingenuidade e percebermos que o pecado original existe”.
"Houve uma altura em que nós achamos que as guerras já não tocariam o Ocidente e já não existiriam porque as pessoas tinham chegado a um nível de consciência em que percebiam que a guerra só prejudicava toda a gente, inclusivamente os que a faziam."
“A guerra na Ucrânia e, agora, esta guerra entre os Estados Unidos, o Irão e Israel mostram que o ser humano é muito mais problemático do que aquilo que nós pensávamos. E, portanto, temos de deixar de ser ingénuos e perceber que há aqui uma tendência para o pecado. O ser humano é assim. É marcado por esta realidade”, remata.
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