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Obras Seminário Maior do Porto

Bispo do Porto garante que renovação do seminário é uma obra "para a Igreja, mas também para a cidade"

07 mar, 2026 - 08:00 • Henrique Cunha

D. Manuel Linda diz que a reconstrução do Seminário Maior do Porto ajuda a combater a desertificação do Centro Histórico. A obra tem um custo estimado de 16 milhões de euros e envolve a construção de um hotel, que se destina a ser “uma espécie de suporte” financeiro da empreitada.

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O bispo do Porto, D. Manuel Linda, diz que a reconstrução do Seminário Maior do Porto é uma obra para a “igreja, mas também para a cidade”.

Na cerimónia de assinatura do contrato de renovação do Seminário Maior do Porto, D. Manuel lembrou a importância simbólica de o Seminário permanecer no local de sempre, algo que contraria “a desertificação do centro histórico”.

"Desde que o Seminário da Sé foi instalado nesta zona, e já lá vão muitos anos, ele nunca mais saiu daqui. Portanto, para nós, o regressar às suas origens é muito importante”, disse o bispo.

D. Manuel Linda entende que esta é uma obra importante para “a Igreja enquanto tal, mas é também para a cidade, que tem este equipamento e que contribui para dar vida a este centro histórico já por si tão condenado a ter cada vez porventura menos habitantes”.

O projeto de renovação está orçado em 16 milhões de euros e o bispo auxiliar D. Vitorino Soares, que é reitor do Seminário, pede a mobilização de toda a Diocese na procura dos meios financeiros.

A Diocese tem conhecimento do projeto, as comunidades têm conhecimento do projeto, o clero tem conhecimento do projeto e agora é preciso que todos acreditem que isto é uma realidade”, diz D. Vitorino.

Esperemos também que possam participar, independentemente da sua capacidade", acrescenta.

“O importante é que a Diocese esteja toda envolvida, independentemente daquilo que depois venha a ser o seu contributo material que vai ser necessário”, porque "é o seminário da Diocese toda, das comunidades todas e de todos os homens e mulheres de boa vontade”, reforça.

Também o Ecónomo da Diocese, padre Samuel Guedes, faz um apelo às comunidades e paróquias, reconhecendo, contudo, a necessidade de procurar outras fontes de financiamento.

Samuel Guedes reafirma a intenção da Diocese continuar a sua política de permutas, garantindo que a alienação de património será apenas pontual.

“Temos tido uma postura com o nosso património de permuta, e alguma parte do património fará parte dessa permuta, porque, como disse, nós vamos ter a banca a ajudar-nos e, portanto, essa rentabilidade decorrente das permutas vai ser para suportar aquilo que é o conjunto dos nossos compromissos bancários”, adianta o sacerdote.

A ideia é mesmo conseguir “rentabilidade” com as permutas e não “propriamente alienar de forma definitiva”.

“É verdade que houve património que já foi alienado, e estamos a falar de dois prédios em Lisboa, que já estamos a utilizar o dinheiro desse património, que vendemos há uns anos. E há, depois, também uma quinta em Matosinhos, que também está destinada para as obra."

Para mobilizar a Diocese, o padre Samuel Guedes quer apresentar o projeto em todas as vigararias e ter também uma maquete no Paço Episcopal, permitindo a quem visita o espaço se “inteire da obra e por ela se interesse”.

Risco de derrapagem

A obra está orçada em 16 milhões de euros e Joaquim Ferreira, da empresa que a vai executar, espera que a conjuntura internacional não venha a originar derrapagens, porque "toda esta instabilidade é uma preocupação".

"Trabalhamos com alguns fundos e temos algum receio que a guerra possa mexer com a economia", diz.

"Quanto ao orçamento da obra, temos um valor e faremos tudo para cumprir esse valor. Esperemos que estes acontecimentos não venham trazer mais inflação de maneira a que não consigamos aguentar os números estabelecidos no contrato”, afirma .

Também o bispo do Porto se declara apreensivo com a conjuntura internacional e com a instabilidade económica criada pela guerra no Médio Oriente, mas adianta que “esta nova fase da guerra é tão recente que a gente ainda nem teve tempo para a digerir”.

De certeza absoluta que o petróleo e até o grande comércio internacional vão ser afetados. Não sei que consequências é que vamos tirar daí. Vai depender fundamentalmente do tempo que durar”, acrescenta.


Hotel como suporte financeiro da obra

O projeto de renovação do Seminário Maior do Porto envolve a criação de um hotel que a Diocese pretende que seja uma importante fonte de financiamento da obra.

D. Vitorino Soares garante que a unidade hoteleira não vai perturbar a vida normal do seminário: "A questão do hotel, como ideia geral, é uma ampliação do próprio seminário. Ou seja, é uma alternativa, se quisermos, um crescimento possível do seminário, embora momentaneamente, a intenção é para ajudar à uma sustentabilidade financeira da própria casa."

O reitor reforça que “isso não vai perturbar a vida da casa, pois o hotel vai ter uma vida autónoma, onde quem vai usufruir da unidade hoteleira pode também saborear aquilo que é o ambiente de uma formação sacerdotal dentro do próprio seminário”.

"A intenção é essa, é rentabilizar para poder formar”, sublinha.

“Oxalá que nós no futuro viéssemos a precisar da unidade hoteleira, porque o seminário não comportaria todos os candidatos ao sacerdócio. Seria um excelente sinal vocacional”, reforça.

Orçada em 16 milhões de euros, a obra deve estar concluída dentro de dois anos.

O projeto de recuperação do Seminário Maior do Porto é da responsabilidade do Arquiteto Pedro Resende Leão.

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  • Manuel da Costa
    07 mar, 2026 Sydney, Austrália 10:24
    Como católico praticante, embora com certas reservas, gostaria de saber da necessidade de “um novo seminário”, que será a sua reconstrução, envolvendo uma avultada despesa para já, e possivelmente maior ainda num próximo futuro. Duvido que a existência de maior número de seminaristas, possa exceder os seminários existentes não só no Porto, como no país. Por outro lado, o Porto e Vila Nova de Gaia não têm hotéis suficientes para atender à procura? A Igreja quer entrar na concorrência? Não haverá necessidades mais prementes e urgentes em que esse dinheiro possa ser empregue? Afirma o Estado e a Igreja também que o número de pobres e a miséria têm aumentado ultimamente e que, para combater essa triste situação, não há dinheiro? Ao fazer este comentário, não me quero manifestar contra a Igreja da qual sou fiel seguidor, mas contra certas opções que me parecem desnecessárias e até duvidosas, quanto e como o dinheiro angariado com as esmolas dos fiéis é gerido. Oxalá eu esteja enganado, mas a “vida” tem-me surpreendido quanto a atitudes de alguns eclesiásticos administrativos que se dizem servidores da Igreja.

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