Sínodo
Vaticano e o papel da mulher na Igreja: nem machismo nem clericalismo
10 mar, 2026 - 14:03 • Aura Miguel
O texto pede “maior atenção à linguagem e às imagens utilizadas na pregação, no ensino, na catequese e na redação dos documentos oficiais da Igreja, para dar maior espaço à contribuição das santas mulheres, das teólogas e das místicas".
O Vaticano reconhece ser necessário uma “mudança de mentalidade” sobre o papel da mulher.
“A participação das mulheres na vida e no governo da Igreja” foi um dos vários temas que ocuparam as duplas sessões do Sínodo dos bispos (2021-2024) sobre a Sinodalidade, do qual resultou um grupo de estudo, cujo relatório final foi publicado esta terça-feira.
O relatório apela à superação de um "conjunto de pensamentos e comportamentos" generalizado na mentalidade eclesial e identificado como "clericalismo" ou "machismo", reconhecendo também "atitudes relativas à gestão do poder e do discurso que criam desconfiança e, sobretudo, distanciamento entre as mulheres".
O texto pede “maior atenção à linguagem e às imagens utilizadas na pregação, no ensino, na catequese e na redação dos documentos oficiais da Igreja, para dar maior espaço à contribuição das santas mulheres, das teólogas e das místicas". Entre elas, apontam-se Maria Madalena, Joana d’Arc, Hildegarda de Bingen, Dorothy Day e Wanda Półtawska, ou seja, mulheres que "exerceram verdadeira autoridade e poder para a missão", não "ligados à receção das Ordens Sacras", mas "de grande fecundidade para a vitalidade do Povo de Deus".
O relatório resulta de uma reflexão que parte, sobretudo, da experiência e contribuições de mulheres que exercem funções de responsabilidade na Igreja.
Entre os temas-chave, surge o reconhecimento de que a “questão feminina” constitui um autêntico sinal dos tempos que interpela a Igreja e pede “uma abordagem relacional que valorize a dimensão carismática da presença das mulheres na vida eclesial”.
Neste sentido, o relatório analisa as escolhas concretas feitas pelos Papas Francisco e Leão XIV, “cuja decisão de confiar a mulheres cargos de governo na Cúria Romana representa um modelo sobre o qual toda a Igreja é chamada a refletir”.
- Noticiário das 10h
- 19 abr, 2026








