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Médio Oriente

Padre permanece com comunidade cristã no sul do Líbano apesar da guerra

12 mar, 2026 - 12:30 • Olímpia Mairos

Sacerdote maronita perdeu o irmão num ataque, mas continua ao lado dos habitantes da aldeia fronteiriça de Alma Sha’b.

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Apesar da intensificação dos combates no sul do Líbano, o padre Maroun Youssef Ghafari, pároco da aldeia cristã de Alma Sha’b, decidiu permanecer junto da sua comunidade, situada a poucos quilómetros da fronteira com Israel.

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A decisão foi tomada em conjunto com os habitantes da aldeia, muitos dos quais recusaram abandonar as suas casas e terras, mesmo perante o agravamento da situação de segurança.

Apoiamos os habitantes nesta decisão de ficarmos apesar da guerra”, explica o sacerdote maronita à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), sublinhando que a comunidade teme que uma nova evacuação possa significar a perda definitiva das suas casas e campos.

Alma Sha’b fica a cerca de dois quilómetros da fronteira israelita. Antes da atual escalada de violência viviam ali cerca de 350 pessoas. Hoje permanecem aproximadamente 100 habitantes, entre adultos, crianças e idosos.

O pároco recorda que a aldeia já sofreu duramente com o conflito recente. “Sofremos a destruição de 90% das casas quando fomos obrigados a partir completamente no final de setembro de 2024”, afirma. Por isso, acrescenta, muitos receiam que uma nova saída signifique nunca mais regressar. “Estávamos convencidos de que, se partíssemos novamente, não seríamos autorizados a voltar e que o que restasse seria novamente destruído.”

Desde o final de fevereiro deste ano, a aldeia voltou a ser atingida por ataques. “Diversos projéteis caíram na aldeia ou nos seus arredores, danificando algumas casas, mas ninguém ficou ferido até agora”, relata o sacerdote.

A dor da perda do próprio irmão

A guerra atingiu também diretamente a família do pároco. O seu irmão, Sami Ghafari, de 70 anos, morreu a 8 de março, enquanto se encontrava no jardim da sua casa em Alma Sha’b. No dia seguinte, o sacerdote recebeu ainda a notícia da morte de Pierre El Raï, padre maronita da aldeia vizinha de Qlayaa.

O pároco não esconde a dor provocada pela perda. “Perder um cidadão libanês que amava profundamente a sua terra e que não tinha nada a ver com o conflito, e que também era meu irmão, mergulha-nos numa imensa tristeza”, afirma.

Para o sacerdote, o irmão é uma vítima inocente da guerra. “Como padre e cristão, considero Sami um mártir. Ele foi assassinado”, diz, acrescentando que também o padre Pierre El Raï “perdeu a vida ao serviço da sua paróquia”.

Rezamos para que as suas almas descansem em paz e que a sua memória se torne uma fonte de consolo e força para as nossas comunidades”, acrescenta.

Permanecer como testemunho de fé

Apesar do perigo, o padre Ghafari acredita que permanecer na aldeia é também um testemunho de fé.

Confiamos na Providência Divina e na intercessão da Virgem Maria, nossa protetora”, afirma, lembrando que os cristãos da região não estão envolvidos no conflito. “Não temos nada a ver com a guerra”, sublinha, acrescentando que a comunidade continua empenhada numa cultura de diálogo e paz.

É por isso que rezamos todos os dias por esta intenção nas nossas missas diárias e todos os domingos”, explica.

Apelo à solidariedade internacional

O sacerdote alerta ainda para a situação das comunidades cristãs que vivem ao longo da fronteira, distribuídas por cerca de quinze aldeias, muitas delas já danificadas pelos combates.

Se a Igreja universal não cuidar destas comunidades dispersas ao longo da fronteira, elas correm o risco de sofrer o mesmo destino que os cristãos da Terra Santa”, adverte.

Apesar das dificuldades, o pároco deixa também uma palavra de agradecimento pelo apoio recebido.

Em nome da paróquia e, sobretudo, dos pobres – os irmãos de Jesus –, gostaria de expressar a nossa profunda gratidão a todos aqueles que nos apoiam, em particular à AIS, que está ao nosso lado através de ajuda material, alimentar e médica”, afirma.

Entretanto, devido ao agravamento da situação de segurança na região, a aldeia de Alma Sha’b poderá vir a ser evacuada nos próximos dias.

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