Justiça e Paz: “Não podemos ficar indiferentes e surdos diante da pobreza”
17 mar, 2026 - 09:30 • Henrique Cunha
Na sua reflexão quaresmal a partir da mensagem do Papa Leão XIV, a Comissão Nacional Justiça e Paz diz que perante a realidade, os cristãos não se podem limitar a “ficar pelos pios lamentos”, e apela à mobilização.
A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) diz que “não podemos ficar indiferentes e surdos diante da pobreza” e adianta que “as tragédias climáticas que nos assolaram carregam gritos clamando respostas a quem ficou sem telhado, sem casa, a quem perdeu o sustento”, porque “os locais de trabalho ficaram destruídos”.
A CNJP pede atenção para “quem viu as águas invadirem a sua dignidade e bens”.
Na sua reflexão quaresmal, aquele organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lembra a mensagem do Papa Leão XIV e a sua proposta baseada em três palavras - “escutar, jejuar e juntos” -, sublinhando que “escutar a Palavra implica ação”.
“Ainda estamos a viver os dramas que assolaram algumas regiões do nosso país. Vivemos mil e um dramas. Mas onde chegou a nossa prática?”, interroga a nota.
“Limitamo-nos a ficar pelos pios lamentos, pelos comentários acusatórios à responsabilidade do clima, do estado e outras entidades?”, insiste.
A CNJP admite que “não falta a mobilização diante de eventos extremos”, mas pergunta o que se faz “perante a miséria escondida”.
“Qual a nossa escuta diante das dores abafadas dos imigrantes, das formas de violência gratuita, da exploração laboral e das múltiplas escravaturas, das palavras ofensivas de teor racista, e não só?
“Qual a nossa escuta diante das dores abafadas dos imigrantes, das formas de violência gratuita, da exploração laboral e das múltiplas escravaturas, das palavras ofensivas de teor racista, e não só?”, pergunta.
A estrutura da CEP considera “urgente uma consciência que saiba discernir o circunstancial do essencial” e reforça a ideia de que “as intempéries e catástrofes naturais requerem a nossa proximidade”.
A nota reflete ainda sobre a palavra “jejum”, perguntando se “somos cumpridores escrupulosos da letra, os novos fariseus”.
“O jejum e a abstinência podem incarnar-se em cada um naquilo que lhe é mais comum, nos julgamentos fáceis, nas palavras sem freios e, por vezes, ofensivas, despejadas nas redes sociais, nas calúnias de quem está ausente, no preto e no branco das nossas apreciações conforme as cores políticas, clubísticas ou paroquiais; lado a lado com outros, podemos abrir caminhos de esperança e de paz”, adverte.
E termina com “o terceiro pilar da mensagem do Papa” que é “juntos”, ou seja, “é a dimensão comunitária”. “Juntos é o desafio, a experiência do caminho sinodal que nos impele a cultivarmos um outro modo de estar, uma outra proximidade feita de comunhão que, pelo amor recíproco, gera a presença de Deus entre nós e nos conduz à Pascoa”, assinala.
A reflexão da CNJP termina lembrando que a Quaresma é “uma oportunidade nova” , sublinhando que “este caminho quaresmal – feito de escuta, jejum e juntos – deve ter o sabor da graça que passa pelo arrependimento, para vivermos com cada próximo uma aurora de paz e fraternidade”.
- Noticiário das 2h
- 14 mai, 2026








