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Papa convoca bispos de todo o mundo para discernir sobre a família

19 mar, 2026 - 11:27 • Aura Miguel

Leão XIV reconhece que, “ao colher os frutos do discernimento sinodal, a Amoris laetitia oferece um ensinamento valioso que devemos continuar a perscrutar: a esperança bíblica da presença amorosa e misericordiosa de Deus”.

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Dez anos depois da Exortação Apostólica Amoris laetitia (19.03.2016), Leão XIV publica esta quinta-feira uma Mensagem sobre este documento, assinado pelo Papa Francisco, como resultado de três anos de assembleias sinodais.

“Neste décimo aniversário, queremos render graças ao Senhor pelo impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja sobre a família e pedir-lhe a coragem de continuar o caminho, acolhendo sem cessar o Evangelho, na alegria de poder anunciá-lo a todos”, escreve o atual Papa.

A Mensagem traça um percurso sobre a atenção do magistério da Igreja, desde o Concílio Vaticano II até aos dias hoje e sublinha que “tendo em conta «as mudanças antropológico-culturais» que se acentuaram ao longo das últimas décadas, o Papa Francisco quis comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal”.

Leão XIV reconhece que, “ao colher os frutos do discernimento sinodal, a Amoris laetitia oferece um ensinamento valioso que devemos continuar a perscrutar: a esperança bíblica da presença amorosa e misericordiosa de Deus”.

Neste contexto, o atual pontífice quer ouvir os bispos e conhecer o que se passa no terreno. Por isso, decidiu convocar a Roma os presidentes de todos os episcopados mundiais.

“Considerando as mudanças que continuam a influenciar as famílias, decidi convocar, para outubro de 2026, os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, a fim de proceder, na escuta recíproca, a um discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais. Confio este caminho à intercessão de São José, guardião da Sagrada Família de Nazaré”, afirma.

Nesta Mensagem, o Santo Padre valoriza “a beleza da vocação ao matrimónio” sem esquecer os seus problemas e fragilidades, pede “maior apoio para as famílias que sofrem tantas formas de pobreza e violência presentes na sociedade contemporânea” e agradece o testemunho das que, “apesar das dificuldades e desafios, vivem a espiritualidade do amor familiar feita de milhares de gestos reais e concretos”.

Leão XIV agradece também aos Pastores, aos agentes pastorais, às Associações de fiéis e aos Movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar.

“Ainda mais do que há dez anos, o nosso tempo é marcado por rápidas transformações que exigem uma especial atenção pastoral às famílias, às quais o Senhor confia a tarefa de participar na missão da Igreja de proclamar e testemunhar o Evangelho”, reconhece.

Por isso, o compromisso da Igreja neste campo “deve ser renovado e aprofundado para que, aqueles que o Senhor chama ao matrimónio e à família, possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja”.

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