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Santa Maria da Feira: Semana Santa como uma “celebração do encontro, da partilha e da esperança”

20 mar, 2026 - 08:38 • Redação

A Semana Santa de Santa Maria da Feira aposta na descentralização e na inclusão para unir o concelho, com atividades que vinculam fé e cultura.

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A celebração da Quaresma em Santa Maria da Feira é uma manifestação religiosa, mas também uma recriação histórica, com um programa que alia tradição, fé e cultura.

De acordo com a organização, os mais de cinquenta dias de atividades realizam-se com o trabalho e coordenação do Grupo Gólgota, ligado à comunidade dos Passionistas.

O ciclo de recriações começa com a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, no Domingo de Ramos, partindo da Igreja dos Passionistas em direção à Igreja Matriz.

Segue-se a recriação da Última Ceia, que de acordo com o programa se realiza na véspera da Quinta-feira Santa, antecedendo a tradicional Procissão das Endoenças, organizada pela Santa Casa da Misericórdia.

O momento culminante é a Via Sacra, na Sexta-feira Santa, que tem início na Alameda do Tribunal e termina com a Crucifixão, Morte e Ressurreição de Cristo junto ao Castelo de Santa Maria da Feira.

Fugindo às tradicionais 14 estações, a organização propõe uma reinterpretação em cinco paragens estratégicas. "Quer chova ou faça temporal, a Via Sacra acontece sempre. E o público permanece firme até ao fim", nota o coordenador do evento, Daniel Nunes da Mota.

O responsável sublinha que o sucesso assenta no voluntariado: "Tudo o que se vê, desde as cenografias ao vestuário, vem de um esforço coletivo gratuito. É uma demonstração de fé com uma dimensão rara em Portugal."

A programação estende-se até 12 de abril, oferecendo uma ampla variedade de atividades religiosas, culturais e gastronômicas: concertos de música sacra, showcookings com enfoque na gastronomia quaresmal e visitas guiadas ao patrimônio local.

Entre os destaques musicais estão o Requiem de Mozart e obras de Domenico Scarlatti, apresentados na Igreja Matriz.

Este ano, a organização apostou ainda mais na descentralização, levando as iniciativas a várias freguesias do concelho, como Caldas de São Jorge e Canedo e ampliando o acesso à cultura.

“Queremos que cada freguesia sinta que faz parte deste evento. É uma celebração da terra e das suas gentes”, reforça o coordenador.

Outro marco importante é a inclusão da comunidade surda, com tradução simultânea em língua gestual portuguesa nos momentos principais da programação, uma medida que, segundo o coordenador, trouxe uma adesão notável e simboliza a vontade de “chegar a todos, como pedia o Papa Francisco”.

O responsável entende que a Semana Santa de Santa Maria da Feira "já é uma referência consolidada e uma tradição entre os feirenses".

As atividades reúnem cerca de 300 participantes e atraem milhares de visitantes de todo o país e de Espanha. A taxa de ocupação hoteleira atinge valores máximos durante a Semana Maior, confirmando a importância do evento no calendário religioso e cultural da região.

Além do impacto espiritual e turístico, a Semana Santa representa um momento de união e comunhão. “A fé cristã é vivida em comunidade. Esta programação não é feita para elites, mas para todos. É uma celebração do encontro, da partilha e da esperança”, afirma Daniel Nunes da Mota.

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