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Religião

Bispos de Braga convidam fiéis a “florescer” na Páscoa com gestos concretos de esperança

24 mar, 2026 - 11:53 • Olímpia Mairos

A mensagem propõe também uma iniciativa concreta de solidariedade: uma renúncia pascal, no dia 26 de abril, destinada ao fundo de apoio aos prejuízos causados pela tempestade Kristin na Diocese de Leiria-Fátima.

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A Arquidiocese de Braga divulgou a sua mensagem para o Tempo Pascal, desafiando os fiéis a viverem a Páscoa como um tempo de renovação concreta da esperança, mesmo em contextos marcados pela incerteza e pelo cansaço.

Cristo ressuscitou! E da terra ferida pela morte, o jardim floriu!”, escrevem D. José Cordeiro, D. Delfim Gomes e D. Nélio Pita, numa mensagem dirigida aos “irmãos e irmãs da Arquidiocese de Braga”.

Os bispos reconhecem que muitos chegam à Páscoa cansados, depois do caminho quaresmal, mas sublinham que este é o momento de olhar não para o esforço humano, mas para a ação de Deus: “Na manhã de Páscoa, não olhamos para o que fizemos, mas para o que Deus faz brotar.”

Inspirando-se na figura de Maria Madalena, que confunde Jesus com um jardineiro, os prelados afirmam que “Jesus é o Jardineiro de Deus”, aquele que continua a “inclinar-Se diante da desesperança do mundo para lhe dar vida e vida em abundância”.

Cruz transformada em vida

Um dos sinais mais fortes desta transformação, sublinham, é a própria cruz: “Aquele madeiro seco, plantado como sinal de morte, tornou-se Árvore da Vida.”

Como gesto concreto, os bispos sugerem que as famílias coloquem uma cruz florida em casa durante o Tempo Pascal, “não como decoração, mas como memória viva de que Cristo faz florescer até aquilo que em nós parece perdido”.

“Proclamar a Ressurreição é coragem”

Num contexto global marcado por guerras, dificuldades económicas e incertezas, a mensagem sublinha que viver a Páscoa não é alienação, mas um ato de coragem: “Num mundo que se habitua à morte, nós ousamos anunciar a vida.”

Citando o Papa Francisco, os bispos alertam para o risco da resignação: “No meio da complexidade sem precedentes da história, há o perigo de ceder à resignação. [...] Mas hoje celebramos a vitória de Cristo que transformou o sepulcro, de lugar de morte, num jardim de vida.”

Caridade como critério da fé

A mensagem propõe também uma iniciativa concreta de solidariedade: uma renúncia pascal, no dia 26 de abril, destinada ao fundo de apoio aos prejuízos causados pela tempestade Kristin na Diocese de Leiria-Fátima.

“A caridade não é um acessório da fé; é o seu critério mais sério”, sublinham.

Cuidar dos sacerdotes e promover vocações

Os bispos apelam ainda à oração e ao cuidado pelos sacerdotes, alertando que “um padre sozinho, cansado ou desanimado é um jardim que começa a secar”.

No âmbito da Semana de Oração pelas Vocações, incentivam os fiéis a não se limitarem à oração, mas a desafiarem os jovens: “Um pai, uma mãe, um catequista, um amigo que diz a um jovem: ‘já pensaste que Deus pode estar a chamar-te?’ pode mudar uma vida inteira.”

Contra a indiferença digital

Na reflexão sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais, deixam também um aviso sobre o uso das tecnologias: “Não deixeis que os algoritmos decidam a vossa visão do mundo.”

Citando o Leão XIV, sublinham a importância da relação pessoal: “O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa”.

"Não vos habitueis à indiferença diante do sofrimento. Levai o Evangelho também aos ambientes digitais, com verdade, com respeito, com humanidade", pedem.

“Não às flores artificiais”

Na parte final da mensagem, os bispos sintetizam o apelo pascal: rejeitar uma fé superficial e assumir uma vida transformada.

“Não às flores artificiais, perfeitas, bonitas, mas sem qualquer vida. Sim, à beleza discreta e real de quem se deixa cultivar por Cristo”, afirmam.

Citando ainda Bento XVI — “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração” — os responsáveis da Arquidiocese concluem com um convite direto: “Ide, alegres e florescei. Ainda que seja pouco. Mas de verdade.”

A mensagem termina com votos de “Feliz e Santa Páscoa” para toda a comunidade.

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