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Religião

Igreja admite uso de animais em transplantes mas reforça exigências éticas

24 mar, 2026 - 12:49 • Olímpia Mairos

Novo documento do Vaticano destaca avanços científicos nos xenotransplantes, mas impõe limites claros para proteger a dignidade humana e o bem-estar animal.

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A Academia Pontifícia para a Vida publicou esta terça-feira uma nova versão do documento sobre xenotransplantes (“Prospects for Xenotransplantation: Scientific Aspects and Ethical Considerations”), onde analisa os avanços científicos e os dilemas éticos associados ao transplante de órgãos entre espécies.

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Segundo o texto, apresentado em conferência de imprensa, a investigação nesta área registou “progressos notáveis”, abrindo caminho a possíveis aplicações clínicas concretas.

A instituição recorda que a escassez de órgãos humanos continua a ser um dos principais problemas da medicina contemporânea e recupera também uma ideia sublinhada por São João Paulo II, defendendo que a investigação científica deve estar orientada para o bem da pessoa humana e para a proteção da sua saúde, princípios que continuam a servir de referência ética neste campo.

Apesar dos avanços, o Vaticano alerta para os riscos científicos e éticos associados a este tipo de procedimentos. “A transferência de órgãos de animais para pessoas implica novos problemas de natureza científica e ética”, lê-se no documento, que aponta também para riscos médicos ainda “não totalmente previsíveis”.

O documento admite que o recurso a animais pode ser eticamente aceitável quando está em causa um benefício relevante para a vida humana, como no caso dos xenotransplantes, mesmo que isso implique experiências ou modificações genéticas.

Ainda assim, sublinha que essa utilização deve obedecer a critérios rigorosos. “O sacrifício de animais só pode ser justificado se for necessário para alcançar um benefício importante para a pessoa humana”, lê-se no texto.

O documento acrescenta que devem ser evitadas alterações genéticas que ponham em causa o equilíbrio das espécies e a biodiversidade, bem como qualquer forma de sofrimento desnecessário. “Devem ser respeitados critérios de real necessidade e razoabilidade”, refere.

A investigação científica, lê-se ainda, “não deve ocorrer à custa dos próprios animais […] mas com respeito pelo seu valor intrínseco”.

O texto insiste na importância de conciliar bem-estar animal e dignidade humana, defendendo critérios claros na investigação e uma avaliação rigorosa dos riscos, incluindo a possibilidade de transmissão de doenças entre espécies.

O documento admite também o recurso a estudos em pessoas falecidas como etapa intermédia antes de ensaios clínicos em doentes. “Nesta fase, da perspetiva católica romana, não há qualquer objeção de princípio à realização de estudos em falecidos como ponte para ensaios clínicos”, lê-se. Ainda assim, o texto sublinha que este modelo levanta novas questões, acrescentando que “são necessárias reflexões éticas e culturais adicionais”.

A nova edição pretende servir como referência para a comunidade científica, oferecendo orientações atualizadas num campo em rápida evolução. “Um recurso valioso ao serviço da vida humana”, conclui.

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