Bispo de Vila Real apela à renovação da fé e ao compromisso com a paz numa Páscoa marcada por conflitos
27 mar, 2026 - 11:15 • Olímpia Mairos
D. António Augusto Azevedo apresenta a Páscoa como resposta à violência e à incerteza, sublinhando que “o amor é mais forte do que a morte” e apontando a vivência comunitária — incluindo o caminho sinodal — como lugar de renovação da Igreja.
Na mensagem pascal marcada pelo atual contexto internacional de guerra, instabilidade e incerteza, o bispo de Vila Real, D. António Augusto Azevedo, desafia os fiéis a redescobrirem o essencial da fé cristã e a assumirem um papel ativo na construção da paz, lembrando que a celebração da Páscoa continua a ser “um grito em nome da paz” e “uma proclamação da vida”.
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Sob o lema “Páscoa: renovar a fé, acolher a paz”, o responsável diocesano apresenta este tempo como uma oportunidade concreta de renovação interior, num mundo que descreve como “contexto conturbado”, marcado por “guerras”, pelo “proliferar das armas” e pela “imposição da lei do mais forte”. Perante este cenário, contrapõe a lógica do Evangelho, recordando que “o amor é mais forte do que a morte” e que a salvação não nasce da violência, mas sim “da força do amor dado até ao fim”.
Ressurreição como horizonte de transformação
No centro da reflexão está a ressurreição de Cristo, apresentada não apenas como um acontecimento fundante da fé, mas como uma realidade viva e transformadora. Como sublinha o bispo diocesano, “com a ressurreição de Jesus tudo mudou”, abrindo-se “um novo horizonte” onde a esperança se torna possível e onde cada pessoa pode reconhecer que “novos caminhos são possíveis”.
Essa transformação implica uma fé assumida e vivida no quotidiano. Por isso, D. António Augusto expressa o desejo de que esta Páscoa represente “um reavivar da fé”, entendida como “elemento estruturante da nossa identidade”, capaz de dar coerência às escolhas e sentido à vida.
Um convite dirigido a todos, especialmente aos mais afastados
Num tom de proximidade pastoral, a mensagem dirige-se de forma particular àqueles que se afastaram da prática religiosa ou atravessam momentos de dúvida. A esses, D. António Augusto Azevedo lança um convite direto a “vir celebrar a Páscoa connosco”, propondo a vivência comunitária como espaço de reencontro e redescoberta.
O apelo estende-se igualmente a todos os que procuram sentido, apontando a experiência pascal como caminho para descobrir “o genuíno sentido da fé cristã” e reencontrar um horizonte de esperança.
A paz como tarefa concreta e urgente
Um dos eixos centrais da mensagem é a ligação entre fé e responsabilidade no mundo. Ao “anunciar a boa nova da ressurreição”, escreve o bispo, os cristãos proclamam também que Cristo “nos dá a sua paz”, uma paz que deve ser construída no quotidiano.
Essa missão passa por viver a “nova lei do amor”, que implica “defender a vida” e “respeitar o outro como nosso irmão”. Ao recordar que a salvação não veio “pela força das armas”, mas pela entrega total de Cristo, o bispo reforça que o testemunho cristão exige contrariar as lógicas de violência e promover caminhos de reconciliação.
Caminho sinodal e uma Igreja mais participada
A mensagem inclui também um olhar sobre a vida da Igreja, apontando para a necessidade de uma vivência mais autêntica e participada da fé. A Eucaristia é destacada como centro da vida cristã e como sinal da presença de Cristo ressuscitado no meio da comunidade.
Nesse sentido, o bispo apela a uma “mais forte participação na eucaristia dominical”, defendendo celebrações “mais vivas e participadas”, que não se limitem ao cumprimento de um preceito, mas expressem uma fé verdadeiramente vivida, partilhada e celebrada.
A reflexão de D. António Augusto contempla também o atual caminho da Igreja, marcado pela dinâmica sinodal. Nesse sentido, destaca a importância das assembleias sinodais como espaços de escuta, participação e corresponsabilidade, onde os fiéis são chamados a contribuir ativamente para a vida e missão da Igreja.
Este percurso, sublinha, aponta para uma Igreja mais próxima, dialogante e comprometida com os desafios do mundo contemporâneo, em linha com o apelo a uma vivência mais autêntica da fé.
Esperança que se torna caminho comum
A concluir, o bispo de Vila Real deixa uma mensagem de esperança e comunhão, sublinhando que a vivência da Páscoa pode renovar não apenas a vida individual, mas também a vida das comunidades.
Com “uma fé mais viva e pascal” e “um coração cheio de paz e alegria”, afirma, será possível “caminhar juntos” e “partilhar uma esperança renovada”, dando testemunho de uma Igreja em caminho, aberta e comprometida com a transformação do mundo.
- Noticiário das 12h
- 14 abr, 2026








