Patriarcado de Lisboa
Vigília pela Paz com apelos ao fim das guerras e ao compromisso individual
27 mar, 2026 - 00:30 • Ecclesia
"Que a força de Deus possa fazer aquilo que a força dos homens parece já não ser capaz", apelou D. Rui Valério.
O patriarca de Lisboa presidiu esta quinta-feira a uma Vigília de Oração pela Paz, que juntou na Basílica da Estrela centenas de pessoas, com a participação do primeiro-ministro, autoridades militares e representantes de outras confissões cristãs.
“Que a força de Deus possa fazer aquilo que a força dos homens parece já não ser capaz”, apelou D. Rui Valério, que esteve acompanhado pelo núncio apostólico em Portugal.
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Na sua saudação inicial, o patriarca alertou para o perigo da “indiferença” perante o sofrimento das populações vítimas da violência, sublinhando que a oração e a solidariedade procuram responder ao “drama da guerra”.
O objetivo da vigília, explicou, foi permitir que a comunhão transforme cenários de destruição em espaços de esperança.
“Que é transformar terras e campos de morte em terras e campos de vida. Transformar o cinzento das bombas, dos projéteis, dos armamentos, transformar tudo isso em cantos de louvor, em cantos de gratidão, em cantos de perdão e de paz”, acrescentou.
Na reflexão central, D. Rui Valério associou a superação destes conflitos à “condição de ressuscitado de Jesus e à mensagem de paz que Ele efetivamente traz e dá ao mundo”.
Citando Leão XIV, o patriarca sublinhou que a construção de uma “paz desarmada e desarmante” exige primeiro ultrapassar as mortes interiores que invadem a humanidade, marcadas pela violência, pela superficialidade, pelo egoísmo ou pelo materialismo.
Recorrendo à palavra hebraica para a paz (shalom), o responsável explicou que o termo era historicamente acompanhado pelo gesto da mão aberta, provando não esconder qualquer arma, e apontou a paz como a “bênção das bênçãos”.
“A mensagem é que só com a paz é possível a colheita boa, é possível a posse da terra, é possível a geração das gerações, são possíveis as outras bênçãos”, indicou.
Durante a celebração, promovida sob o lema ‘Dai-nos a Vossa Paz’, cada participante recebeu um cartão com o nome e o país de uma pessoa afetada pelos conflitos atuais, assumindo um compromisso de oração individual.
O encontro integrou um testemunho do general Lemos Pires, o qual recordou uma missão no Afeganistão, em 2009, destacando a união improvável entre militares portugueses e a população local numa mesquita, na véspera de Natal, poucos dias após um atentado.
“Servimos Portugal e servimos a humanidade, defendendo a vida e fazendo pequenas diferenças. Salvamos algumas vidas, ajudamos alguns pobres, tiramos alguns sofrimentos”, recordou.
A oração evocou os principais cenários de guerra a nível global, rezando pelas populações no Médio Oriente (Irão, Iémen, Terra Santa), que vivem sob “bombardeamentos, deslocações e medo constante”, e pedindo o fim da “lógica da guerra”.
A intercessão estendeu-se à Ucrânia e ao continente africano, recordando as “maiores crises humanitárias do mundo” no Sudão, Nigéria e Moçambique, com denúncias da perseguição religiosa e do uso da fome e do medo como armas.
O continente asiático também esteve em foco, com referências específicas a Myanmar e às suas populações sujeitas a “silêncios impostos”.
No final da celebração, o patriarca de Lisboa agradeceu a presença das autoridades políticas e militares, reafirmando que “cada um pode fazer a diferença” na construção da paz.
- Noticiário das 12h
- 16 mai, 2026







