Leão XIV no Mónaco
Papa apela à defesa da vida e pede “novos mapas” para conter o secularismo
28 mar, 2026 - 11:17 • Aura Miguel
Aos católicos, Leão XIV alertou para o risco das expressões da fé “se reduzirem a um hábito, ainda que positivo” e frisou que uma fé viva é capaz de suscitar perguntas e gerar provocações.
Num país com pouco mais de 38 mil habitantes e 80% de católicos, o Papa elogiou “a grande riqueza de ser um lugar, uma realidade onde todos encontram acolhimento e hospitalidade, naquela combinação social e cultural que constitui uma vossa característica típica”.
Num encontro com representantes da Comunidade católica, na Catedral da Imaculada Conceição, Leão XIV pediu aos fiéis que testemunhem, com generosidade, a luz do Evangelho “para que a vida de cada homem e mulher seja defendida e promovida desde a sua conceção até ao seu fim natural”.
O Papa pediu também que ofereçam “novos mapas de orientação capazes de conter aquelas investidas do secularismo que ameaçam reduzir o homem ao individualismo e fundar a vida social na produção de riqueza”.
O facto de o Principado do Mónaco ser um pequeno Estado multifacetado, rico e cosmopolita, onde habitam monegascos, franceses, italianos e pessoas de outras nacionalidades e onde se associam também outras diferenças de natureza socioeconómica, o pontífice sublinhou que “na Igreja, tal pluralidade não se torna nunca motivo de divisão em classes sociais, mas, pelo contrário, todos são acolhidos enquanto pessoas e filhos de Deus, e todos são destinatários de um dom de graça que encoraja a comunhão, a fraternidade e o amor mútuo”.
Aos católicos, Leão XIV alertou para o risco das expressões da fé “se reduzirem a um hábito, ainda que positivo” e frisou que uma fé viva é capaz de suscitar perguntas e gerar provocações: “Estamos realmente a defender o ser humano? Estamos a proteger a dignidade da pessoa na salvaguarda da vida em todas as suas fases? Será que o modelo económico e social vigente é realmente justo e caracterizado pela solidariedade?” Estará ele impregnado da ética da responsabilidade, que nos ajuda a ir além da «lógica da troca de equivalentes e do lucro como fim em si mesmo» (BENTO XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 38), para construir uma sociedade mais equitativa?”
Por fim, o Santo Padre, lembrou que “a fé precisa de ser anunciada com instrumentos e linguagens novos, inclusive digitais, e todos devem ser introduzidos e formados nela de modo contínuo e criativo”.
- Noticiário das 2h
- 15 mai, 2026








