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Governo português condena Israel por impedir patriarca de celebrar missa no Santo Sepulcro

29 mar, 2026 - 18:12 • Lusa

Ministério dos Negócios Estrangeiros condena atuação da polícia israelita em Jerusalém. Impedimento de celebração no Santo Sepulcro gera críticas internacionais. Autoridades israelitas justificam decisão com razões de segurança.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou hoje a polícia israelita por ter impedido o Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro.

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"O impedimento do acesso do Cardeal Pizzaballa, Patriarca Latino de Jerusalém, à igreja do Santo Sepulcro para as celebrações do Domingo de Ramos, que seriam apenas retransmitidas, merece a mais firme reprovação", escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X (antigo Twitter).

O ministério liderado por Paulo Rangel exortou ainda as autoridades israelitas a "garantirem e praticarem a liberdade de religião e de culto".

A polícia israelita impediu o Patriarca Latino de Jerusalém e um padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem no local sagrado para celebrarem a missa do Domingo de Ramos, "pela primeira vez em séculos", afirmou o Patriarcado Latino.

"Ambos foram detidos no caminho, enquanto se deslocavam a título privado [...] e foram obrigados a voltar para trás", indicou o Patriarcado Latino de Jerusalém e da Custódia da Terra Santa, liderado por Pierbattista Pizzaballa.

"Consequentemente, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", acrescentaram, numa altura em que Israel encerrou todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, invocando razões de segurança.

Para as autoridades religiosas, este impedimento "constitui um grave precedente" e demonstra falta de consideração pela sensibilidade de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém.

O Governo israelita explicou que a decisão foi tomada por motivos de segurança, devido às restrições impostas pelo exército como medida de precaução face a possíveis ataques iranianos.

O acontecimento está a ser contestado por vários países, com destaque para Itália, França, Jordânia, Brasil e Estados Unidos, cujos representantes manifestaram críticas e preocupação com a situação.

"Impedir a entrada do Patriarca de Jerusalém e do padre da Igreja do Santo Sepulcro constitui uma ofensa não só para os crentes, mas para toda a comunidade que reconhece a liberdade religiosa", afirmou Giorgia Meloni.

O presidente francês Emmanuel Macron juntou-se igualmente à condenação, tal como a Jordânia, que classificou o ocorrido como "uma violação flagrante do direito internacional" e da liberdade de acesso aos locais de culto.

Também o Brasil repudiou o impedimento, enquanto o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, considerou tratar-se de um "lamentável abuso de poder".

Citado pela agência EFE, o presidente de Israel, Isaac Herzog, contactou o chefe da Igreja Católica na Terra Santa, Pierbattista Pizzaballa, para lhe transmitir o seu "profundo pesar", reafirmando o compromisso do Estado de Israel com a liberdade religiosa para todas as confissões.

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