Homilia de Ramos
Papa: “Deus rejeita a oração dos que fazem a guerra e têm as mãos cheias de sangue”
29 mar, 2026 - 10:34 • Aura Miguel , João Pedro Quesado (vídeo)
"Ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”, afirmou Leão XIV.
O Rei da paz é um Deus que rejeita a guerra e "ninguém o pode usar para justificar a guerra”, disse o Papa este domingo de manhã, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Na homilia deste domingo de Ramos, Leão XIV recordou que Deus “não escuta mas rejeita a oração dos que fazem a guerra quando diz: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15)".
“Em Cristo, crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade. Nas suas chagas vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje. No seu último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho. E, sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”, afirmou.
“Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!”, acrescentou.
Leão XIV recordou que Maria Santíssima, ao pé da cruz do seu Filho, “chora também aos pés dos crucificados de hoje” e pediu-lhe que nos dê “a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós e que os dias das injustiças dos povos estão contados”.
Leão XIV próximo dos povos feridos pela guerra, impedidos de celebrar a Semana Santa
No final da missa, o Papa pediu orações pelos cristãos do Médio Oriente “que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos destes dias santos”.
Leão XIV mencionava o caso de Jerusalém, onde a polícia israelita impediu o Patriarca Latino e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrar no local sagrado para celebrar a missa do 'Domingo de Ramos', "pela primeira vez em séculos".
No arranque desta Semana Santa, o Santo Padre lembrou que, “ao contemplar o mistério da Paixão do Senhor, não podemos esquecer aqueles que hoje participam de forma real no seu sofrimento. As suas provações desafiam a consciência de todos”, disse.
Leão XIV pediu ao Príncipe da Paz que “ampare os povos feridos pela guerra e que abra caminhos concretos de reconciliação e de paz”.
Antes de rezar o Angelus, o pontífice também confiou a Deus os marinheiros vítimas da guerra e lembrou que “a terra, o céu e o mar foram criados para a vida e para a paz”.
Por fim, convidou a rezar por todos os migrantes que morreram no mar, especialmente os que perderam a vida nos últimos dias perto da ilha de Creta.
[Atualizado às 11h15]
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