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Patriarca de Lisboa fala em violação da liberdade religiosa em Jerusalém

29 mar, 2026 - 22:52 • Fábio Monteiro , Marisa Gonçalves

Impedimento de celebração no Santo Sepulcro gera críticas em Portugal. Patriarca de Lisboa fala em violação da liberdade religiosa. Autoridades israelitas invocam razões de segurança.

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Um ato considerado incompreensível e que coloca em causa valores associados à liberdade religiosa. É desta forma que o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, reage, na Renascença, ao facto de a polícia israelita ter impedido o Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar a missa de Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro.

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“Este acto que estava para acontecer na Igreja do Santo Sepulcro é qualquer coisa que diz a intimidade profunda, mais pessoal do ser humano e isto é uma forma de invadir essa intimidade, de invadir esse território pessoal, de invadir essa liberdade religiosa na vivência exatamente da sua expressão. Eu creio que a missa, a Eucaristia, é o acto mais pacífico à face da terra, porque por ele não só nós estamos a rezar pela paz, mas a própria Eucaristia, pela sua natureza, nos desarma completamente”, disse D. Rui Valério.

O primeiro-ministro de Israel garantiu que se tratou apenas de uma questão de segurança do Patriarca Latino de Jerusalém. Benjamin Netanyahu assegura que estão a ser tomadas medidas para que os líderes religiosos tenham acesso aos locais de culto nos próximos dias.

D. Rui Valério afirma que, em ocasião alguma, os cristãos deixam de celebrar missa por medos ou receios e manifesta-se perplexo face à decisão das autoridades israelitas.

“A Igreja Católica, com todos os seus anos e séculos de história, está em grau de testemunhar que pouquíssimas, raríssimas, foram as vezes em que alguém se aproveitou de um ato litúrgico, nomeadamente da Eucaristia, para levar a cabo atos de violência. Portanto, estou perplexo com esta atitude. Acho que ela contraria muito daquilo que é até a própria essência da mensagem bíblica. Se as autoridades israelitas entendiam que haveria alguma ameaça à segurança, deveriam reforçá-la, mas não impedir. Isso é uma espécie de coação e de impedimento à liberdade da religião”, afirmou D. Rui Valério.

O Patriarca de Lisboa recorda que, ainda recentemente, numa igreja da capital, decorreu uma vigília de oração pela paz, da qual resultou uma mensagem de solidariedade enviada para o Patriarca Latino de Jerusalém, que já veio a público lamentar o sucedido.

Em entrevista a um canal de televisão italiano, o cardeal Pierbattista Pizzaballa pede que se preserve o direito à celebração.

“Sinto muito. Lamento o ocorrido. Devo dizer que não houve confrontos. Tudo foi resolvido com muita cortesia. Não quero forçar a situação. Queremos usar esta situação para tentar esclarecer ainda mais as coisas. O que devemos fazer nos próximos dias? Respeitar a segurança de todos, claro, mas também respeitar o direito à oração”, afirmou Pierbattista Pizzaballa.

O Presidente da República diz ter tomado conhecimento, com profunda preocupação, do impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro, situação considerada sem precedentes em séculos recentes.

António José Seguro afirma tratar-se de um facto que atinge a comunidade cristã local e o princípio universal da liberdade religiosa, pilar essencial das sociedades democráticas e consagrado no direito internacional, segundo um comunicado da Presidência da República.

Na mesma linha, Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, diz, na Renascença, que este episódio motiva uma leitura negativa para o mundo católico.

“Uma leitura triste, tendo em conta que é um episódio que não acontecia há muitos séculos e deixa-nos preocupados pelo que pode significar um escalar da guerra para níveis indesejáveis. Outro ponto é a questão do diálogo inter-religioso e esta legitimidade, que tem de ser analisada e dialogada, reforçando a necessidade de colocar a diplomacia acima de tudo. É importante também recordar as palavras do Papa, que sublinham que crimes de guerra não promovem a paz e não fazem bem a ninguém”, afirmou Eugénia Quaresma.

O primeiro-ministro israelita invocou razões de segurança e garantiu que será traçado um plano para permitir a realização de celebrações no Santo Sepulcro nos próximos dias.

Eugénia Quaresma sublinha que, apesar das restrições de segurança, a fé deve continuar a ser vivida por todas as religiões.

“Hoje o Papa reza por aqueles que não podem celebrar com os ritos que a ocasião exige. Portanto, é este adiamento que está em causa, ainda que seja por razões de segurança. Os cristãos arranjam sempre uma forma de viver este tempo”, disse Eugénia Quaresma.

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