Vaticano
Cardeal Parolin chama embaixador de Israel para lamentar "infeliz incidente" em Jerusalém
30 mar, 2026 - 21:16 • Aura Miguel , Ricardo Vieira
Cardeal Pizzaballa impedido de celebrar missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro. Responsáveis do Vaticano "manifestaram pesar pelo incidente, para o qual foram oferecidos esclarecimentos".
O secretário de Estado do Vaticano convocou o embaixador de Israel para lamentar o "infeliz incidente" com o cardeal Pierbattista Pizzaballa, que no Domingo de Ramos foi impedido de celebrar missa no Santo Sepulcro, em Jerusalém, anunciou esta segunda-feira o Vaticano.
O cardeal Pietro Parolin, acompanhado pelo arcebispo Paul R. Gallagher, secretário para as Relações os Estados e Organizações Internacionais, reuniu-se com embaixador do Estado de Israel junto da Santa Sé, Yaron Sideman, para esclarecer a situação.
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Durante a conversa, os responsáveis do Vaticano "manifestaram pesar pelo incidente, para o qual foram oferecidos esclarecimentos, e reconheceram o acordo alcançado entre o Patriarcado Latino de Jerusalém e as autoridades locais relativamente à participação nas liturgias do Santo Tríduo Pascal na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém".
No Domingo de Ramos, a polícia israelita impediu o cardeal Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém; e o padre Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa; de se deslocarem à Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, alegando razões de segurança.
Acesso desbloqueado, mas com restrições de fiéis
O patriarcado latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa conseguiram um acordo com as autoridades de Israel que vai permitir as celebrações da Semana Santa na igreja do Santo Sepulcro.
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O acesso só está garantido aos representantes das igrejas cristãs, permanecendo restrito à maioria dos fiéis devido aos riscos da guerra entre Israel e o Irão. E, como continuam em vigor as proibições de ajuntamentos públicos, incluindo de carácter religioso, as várias liturgias desta Semana maior, serão transmitidas via streaming, em direto, permitindo assim aos fiéis da Terra Santa e do mundo inteiro, acompanhar as celebrações pascais na Igreja mais sagrada da Cristandade.
A polémica foi causada pela polícia israelita que proibiu o acesso ao Santo Sepulcro, pelo patriarca latino de Jerusalém e um sacerdote seu colaborador, impedindo-os de celebrar a missa de Domingo Ramos. Veementes protestos surgiram de imediato, não só no seio da Igreja mas de vários chefes de Estado e de Governo. Um dia depois, a questão desbloqueou-se, graças à intervenção do Presidente israelita.
Num comunicado, as autoridades religiosas cristãs da Terra Santa agradeceram ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a sua intervenção tempestiva e decisiva e expressaram também gratidão aos diversos chefes de Estado que manifestaram pessoalmente a sua proximidade e apoio.
As autoridades eclesiásticas esperam “que se encontrem soluções adequadas para permitir a oração nos locais de culto, particularmente nos lugares santos, conciliando as preocupações com a segurança e o direito à prática religiosa, fundamental para centenas de milhões de fiéis em todo o mundo”.
O comunicado reitera a disponibilidade da Igreja em manter um diálogo constante com as autoridades, incluindo a Polícia de Israel, e renova as suas orações pelo fim da guerra que afeta toda a região. Por fim, o Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia da Terra Santa reafirmam o seu compromisso com o diálogo, o respeito mútuo e a preservação do "status quo" nos lugares santos.
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