Entrevista a D. José Ornelas
Igreja já disponibilizou 2 milhões e 600 mil euros no apoio a vítimas de abusos
01 abr, 2026 - 06:52 • Ângela Roque , Henrique Cunha
“Em cima do milhão e 600 mil relativo às compensações”, D. José Ornelas revela, em entrevista à Renascença, que a Igreja já disponibilizou até agora mais um milhão de euros em despesas com a Comissão Independente, o Grupo Vita e no apoio psicológico às vítimas.
A Igreja Católica portuguesa já gastou um milhão de euros com a Comissão Independente, o Grupo Vita e no apoio psicológico às vítimas de abusos sexuais, além dos 1,6 milhões previstos para compensações financeiras. Os valores são avançados pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Em entrevista à Renascença, D. José Ornelas começa por referir que a compensação financeira que a Igreja vai dar às vítimas “não apaga o mal que foi feito”.
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Explica que o valor de 1,6 milhões de euros corresponde ao total atribuído nos 57 processos fechados, mas irá aumentar quando se concluírem os nove que ainda faltam.
“Um milhão e 600 mil euros não é ‘a possibilidade de’, é aquilo que já está definido e formalmente essas cartas já foram enviadas a todas estas pessoas. Um milhão e 600 e tal mil, isso é aquilo que já está feito. O que vai faltar são esses nove, e que vão ser tratados segundo os mesmos critérios.”
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Ao valor agora anunciado tem de se acrescentar mais um milhão de euros, onde se inclui o que foi pago à Comissão Independente e ao Grupo Vita, e as despesas com apoio psicológico às vítimas.
“A maior parte destas pessoas – e de outras que não pediram uma compensação – têm sido apoiadas, e já estão a ser apoiadas há mais tempo, seja pela bolsa de pessoal médico, sobretudo psicólogos e psiquiatras. Em cima deste milhão e seiscentos mil, e mais aqueles que hão de vir, é preciso pôr um outro milhão de outras despesas, que foram empenhadas neste projeto, [contando com] Comissão Independente e o Grupo Vita.”
Valor das compensações é "adequado"
As 57 vítimas, cujos processos foram concluídos, vão receber entre nove mil e 45 mil euros de compensação, anunciou recentemente a Conferência Episcopal Portuguesa.
Em entrevista à Renascença, D. José Ornelas considera o valor “adequado”, lembrando que é idêntico ao que tem sido pago noutros países, como Alemanha e França, onde o nível de vida até é superior.
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“Penso que é um valor adequado à nossa situação e às condições da Igreja, do país, e também com aquilo que se passa noutros países. Na França esses valores foram fixados entre cinco mil e 60 mil euros e, na Alemanha, entre cinco mil e 50 mil euros”.
Para o presidente da CEP, que termina o seu mandato neste mês de abril, a Igreja fez o que devia ao promover o estudo sobre os abusos – que admite ter sido um “murro no estômago” que a Igreja e a sociedade “precisavam –, e depois ao criar estruturas de acompanhamento das vítimas.
“Acho que a Igreja fez aquilo que devia ter feito nestes anos. Alguma coisa está a mudar nas próprias instituições, mas é preciso criar uma cultura nova a respeito disto. Isto não pode acontecer, e se acontece, tem de ser tratado convenientemente”, sublinha.
Grupo Vita? "Precisamos de um organismo que tenha alguma autonomia"
Sobre a continuidade do Grupo Vita, D. José Ornelas recorda que o organismo liderado pela psicóloga Rute Agulhas “tem contrato até junho” e prefere não se pronunciar neste momento,
Remete o assunto para a Assembleia Plenária da Conferência Episcopal, que neste mês de abril vai eleger novos representantes dos bispos. Mas considera que a Igreja deve ter “um organismo” dedicado a estas questões, e com “alguma autonomia”.
“A opinião que eu tenho, muito clara, é que nós precisamos de uma coordenação. Pode ser esta equipa, pode ser outra, precisamos de um organismo que tenha alguma autonomia, mas que é da Conferência Episcopal, e que tenha sempre no radar estas questões.”
O combate aos abusos não se encerra com estes processos de compensação, garante D. José Ornelas, que defende que a Igreja deve saber ouvir os alertas, como os que o Grupo Vita fez no relatório de atividades, em janeiro, quando falou da "falta de coordenação" e de "prestação de contas" por parte das comissões diocesanas.
- Noticiário das 3h
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