Missa Crismal
Bispo da Guarda diz ser hora de "leigos preparados conduzirem assembleias dominicais"
02 abr, 2026 - 11:07 • Ecclesia
D. José Miguel Pereira pede «olhar determinado» perante realidade diocesana e diz ser hora de "leigos preparados conduzirem assembleias dominicais".
O bispo da Guarda defende ter chegado a hora de “leigos preparados” assumirem a “missão de conduzir” assembleia dominicais sem missa, e pede que as pessoas “não sejam abandonadas” sem “assistência espiritual”.
“É preciso discernir, com os párocos, quem é chamado e deve preparar-se para tal. Nesta hora da nossa Diocese, temos de olhar com determinação para esta realidade. Podemos correr o risco de querer manter eucaristias dominicais que já não são capazes de reunir uma assembleia, construir uma comunidade, formar um corpo com membros de diferentes gerações, constituir uma casa que acolhe, enviar discípulos em missão, renovar-nos como reino de sacerdotes para Deus”, advertiu
D. José Miguel Pereira na homilia da celebração da Missa Crismal na Sé da Guarda, enviada à Agência ECCLESIA.
“Todas as pessoas e lugares precisam de não ser abandonados e continuar a ter assistência espiritual e presença do pároco e de outros ministros, que os visitem com regularidade durante a semana. Sobretudo os mais frágeis que já não se conseguem deslocar”, acrescentou o responsável.
D. José Miguel Pereira pediu que os sacerdotes possam celebrar para “assembleias eucarísticas dominicais que alimentem a pertença comunitária a uma paróquia”, e que criem uma “comunidade inter-geracional de famílias e grupos, de vocações e serviços, de configuração da identidade cristã e crescimento espiritual, de participação na vida da Igreja e envio missionário”.
O bispo da Guarda afirmou que a dimensão profética do povo de Deus não se resume a “bons exemplos de cidadania, de honestidade e competência no trabalho”, mas assenta na difusão do “testemunho vivo de Cristo, pela vida da fé e de caridade, que não se limita a um conjunto de doutrinas e valores, mas oferece um proposta de redenção, iluminação, libertação e graça para o mundo”.
“No respeito pela autonomia das realidades seculares e pela liberdade religiosa, somos enviados a habitar o espaço público, partilhando-o com outras visões filosóficas, religiosas ou ateias, mas contribuindo activamente para a construção social e cultural”, salientou.
O responsável pediu aos católicos da diocese “disponibilidade” para “assumir serviços e ministérios, em comunhão com os párocos, segundo as necessidades da comunidade; como no cuidado da comunidade diocesana, em áreas e sectores que estejam necessitados”.
“São necessários fiéis leigos que assumam responsabilidades de animação pastoral e formação da fé nas paróquias e anexas; de animação de assembleias cristãs de oração em lares, prisões, casas de saúde; de animação de grupos com quem não participa plenamente na assembleia eucarística; de orientação de exercícios espirituais, grupos bíblicos, formação doutrinal”, pediu.
D. José Miguel Pereira afirmou a necessidade de “casais que se preparem para assumir responsabilidades de animação pastoral das famílias” em diferentes áreas, na educação, no acompanhamento, “na liturgia doméstica” mas também na “atenção pastoral às situações de fragilidade e rutura, e às diversas configurações de lares constituídos”.
“São necessárias mulheres que assumam mais serviços e possíveis ministérios em lugares de responsabilidade e condução na comunidade diocesana. Além da lógica do debate social do acesso da mulher a funções de liderança”, indicou.
Referindo-se aos padres, com quem celebrou a Missa Crismal, o bispo da Guarda quis agradecer a “entrega generosa, tantas vezes abnegada, tantas outras na discrição e sem que alguém se aperceba, senão o próprio Deus”.
“A minha última palavra vai para o nosso Seminário da Guarda. Precisamos de cuidar dele com renovado empenho e dedicação. Ele é o coração da Diocese, enquanto instância de promoção da pastoral vocacional de rapazes e raparigas, de oferta de formação espiritual e pastoral a todos, e garante do acompanhamento dos nossos seminaristas em chave missionária e sinodal”, indicou.
D. José Pereira explicou que os seminaristas da diocese “vão ser recebidos no Seminário de Lisboa a partir do próximo ano”.
- Noticiário das 9h
- 19 abr, 2026








