missa crismal em aveiro
D. António Moiteiro pede "novas modalidades de transmissão de fé"
02 abr, 2026 - 14:15
O bispo de Aveiro diz que a diocese necessita de padres "não definidos pela multiplicidade de tarefas" mas "configurados" pela relação com Deus. .
O bispo de Aveiro, D. António Moiteiro, pediu, esta quinta-feira, que se experimentem “novas modalidades de transmissão da fé” e afirmou que com “novos modelos de vida cristã” é necessário “aprender a viver mudando”.
“Estamos a viver tempos de graça e conversão que exigem um novo modelo de vida cristã. Temos de aprender a viver mudando. Isto significa aprender a ‘despedir’ o que já não evangeliza, nem abre caminhos ao reino de Deus. Devemos despedir, sem nostalgia, o que está a morrer, e potenciar o que está a nascer. Cada vez será mais difícil tomar como referências válidas situações do passado e temos de deixar de falar das dificuldades, escassez de meios e deficiências, para dedicarmos mais tempo à oração, a discernirmos juntos caminhos de futuro e empreendermos caminhos de conversão”, afirmou D. António Moiteiro aos padres reunidos na Sé para a celebração da Missa Crismal.
Na homilia da celebração, o prelado afirmou que a diocese necessita de sacerdotes “não definidos pela multiplicidade de tarefas ou pela pressão dos resultados, mas sim homens configurados com Cristo através de uma relação pessoal com Ele, alimentada pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pelo dom de si mesmo”.
“Não se trata de inventar modelos novos nem de redefinir a identidade que recebemos, mas voltar a propor, com renovada intensidade, o sacerdócio no seu núcleo mais autêntico, isto é, ser alter Christus, deixando que seja Ele e configurar a nossa vida, unifique o nosso coração e dê forma a um ministério vivido a partir da intimidade com Cristo, a entrega fiel à Igreja e o serviço concreto às pessoas que nos foram confiadas”, afirmou, recordando palavras do Papa Leão XIV aos padres de Madrid.
D. António Moiteiro apontou a fase “decisiva” em que a diocese de Aveiro se encontra, na renovação do projeto pastoral.
“Estamos todos convocados para as Assembleias arciprestais a realizar nos meses de abril e maio, e a Assembleia diocesana do dia 5 de julho. Este trabalho deve ser feito com o maior número possível de participantes, para prepararmos bem a Assembleia Sinodal do primeiro trimestre do novo ano pastoral, que irá decidir as comunidades pastorais, os órgãos que as compõem e o território que as constituem”, indicou.
Recordando palavras do Papa Lerão XIV, o responsável pediu trabalho conjunto e comunhão.
“As mudanças culturais e antropológicas ocorridas nas últimas décadas tornam urgente voltar a anunciar o Evangelho. Num tempo que é novo, marcado por uma cultura diferente, plural, multifacetado e pluricultural, só mudando e adequando os modelos organizativos e os processos de ação pastoral, podemos transmitir o que não muda”, indicou.
O bispo de Aveiro explicou que as mudanças estão em curso, que o tempo é “exigente e difícil” mas que toda a renovação “exige coragem, dinamismo e conversão interior de pessoas e estruturas”.
“Este é o tempo oportuno. A implementação das comunidades pastorais requer tempo e paciência. As estruturas e a organização não têm de ser iguais em todas as comunidades pastorais, tendo em conta a dimensão, a geografia e os dinamismos próprios. É necessário que a pastoral de cada comunidade pastoral volte a colocar o anúncio de Cristo ressuscitado no centro da sua vida, procurar caminhos e formas que ajudem as pessoas a entrar novamente em sintonia com a promessa de Jesus”, pediu.
- Noticiário das 4h
- 14 abr, 2026








