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Páscoa

D. Américo pede cuidado ao volante "para que as estradas sejam local de encontro e não de sofrimento"

03 abr, 2026 - 19:34 • João Maldonado

Na celebração da Paixão do Senhor, o Cardeal e Bispo de Setúbal sublinhou que é impossível pensar na crucificação de Jesus e não pensar nas guerras que trazem sofrimento a todo o mundo.

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Foi a lembrar especialmente tanto quem vive esta Páscoa "ainda com os ferimentos e as dificuldades das intempéries" como os acidentes nas estradas nesta altura do ano que o Cardeal D. Américo Aguiar arrancou a homilia da Celebração da Paixão do Senhor.

"Certamente temos famílias que estão a viver já esta sexta-feira profundamente magoadas e feridas em razão da morte dos seus entes queridos. Por isso, apelamos mais uma vez, e sempre, a todo o cuidado a quem vai fazer viagens para que as estradas sejam local de encontro com as famílias os amigos e não propriamente local e oportunidade de sofrimento", sublinha o bispo de Setúbal em entrevista à Renascença.

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D. Américo Aguiar trouxe a atualidade mundial para estas palavras e disse ser "impossível" pensar neste dia da crucificação de Jesus sem pensar em todas as guerras que fazem sofrer o mundo.

"Hoje, como naquele tempo, há sofrimento inocente. Há mães que choram os seus filhos. Há cidades destruídas. Há povos inteiros a viver na insegurança, na miséria, no medo. Como não pensar na Ucrânia, na Terra Santa, no Médio Oriente, em África, em tantas regiões do mundo marcadas pela guerra? Como não reconhecer que, nesta mesma hora, a violência continua a escrever páginas de dor na história da humanidade?"

Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal
Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal
Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal
Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal
Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal
Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?". Foto: Diocese de Setúbal

Partindo das guerras que envolvem Estados, o Cardeal que lidera a diocese de Setúbal passou também para um caso particular espanhol, recordando Noelia Castillo, jovem espanhola que lutou em tribunal contra o próprio pai pela liberdade de escolher morrer com ajuda médica – e venceu, "vítima da legalização da eutanásia", essa batalha judicial.

"Quem pode duvidar do calvário que viveu, do abandono que sentiu, do sofrimento que a atravessou? Também aí somos chamados a reconhecer um grito de dor que interpela a nossa consciência, a nossa humanidade, a nossa fé".

Numa homilia que rondou os 10 minutos, D. Américo Aguiar focou-se essencialmente no amor – questionando "que lugar tem nas nossas palavras, atitudes e relações?".

Olhando à cruz, onde Jesus foi crucificado, o Bispo questiona quem queremos ser: "Como Pedro, que nega; como os discípulos, que fogem; ou seremos capazes de permanecer, como Maria e o discípulo amado, junto à Cruz, assumindo a totalidade do sofrimento, apesar de tristes e desolados, com o coração ferido?"

E em oposição ao amor, "que tem sempre a última palavra", D. Américo repudia a violência que "não começa apenas nos campos de batalha", mas "começa também nas mentalidades, nas linguagens, nos hábitos, nas narrativas que normalizam o medo, justificam a hostilidade e fazem da força a primeira resposta".

Da Sé de Setúbal à Sé de Lisboa será cerca de uma hora de carro. E foi na Sé Patriarcal que D. Rui Valério celebrou a Paixão do Senhor, um dia depois de vir a público admitir uma revisão constitucional, a aprovação da lei da nacionalidade no espírito da atual lei e fazer um apelo a que se resolva a "letargia" da reforma laboral.

O Patriarca de Lisboa debruçou-se naturalmente também pelo valor da cruz neste dia santo. "É o lugar onde a dor humana toca o mistério eterno de Deus", salienta logo no início do discurso, referindo também que não é apenas a violência física que O magoa.

"As chicotadas que O fazem tremer de dor não são apenas as infligidas pelos soldados, são também as do desprezo do homem por Deus e pelo irmão", atravessando a "indiferença", o "egoísmo" e a "maldade que se insinua nas estruturas e nos corações".

No mistério da Cruz, afirma D. Rui Valério, "esconde-se uma força regeneradora do que é genuíno, primordial, anterior ao tempo e à própria existência", mas ao mesmo tempo encerra-se também "a chave para nós agirmos no mundo, na sociedade como promotores de vida nova junto dos irmãos".

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