Patriarca alerta para uma cultura materialista e para indiferença sobre os mais frágeis
05 abr, 2026 - 13:34 • Ana Catarina André
Este Domingo de Páscoa, na Sé de Lisboa, D. Rui Valério afirmou que “o homem contemporâneo, rodeado de meios, torna-se muitas vezes incapaz de responder” a questões essenciais sobre o sentido da vida. “O mundo de hoje precisa de homens e mulheres que não tenham vergonha da fé e não vivam fechados no imediato.”
O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, lembrou, este Domingo de Páscoa, que o coração do homem escurece “quando já não reconhece o rosto do outro, como irmão”. “Assim, são aqueles povos e responsáveis que, obscurecidos pela ideologia, por interesses económicos, por vontade de dominar, ou simplesmente porque sim, não respeitam os direitos de outros povos e subjugam nações”, disse, frisando, logo de seguida que “algo mudou” com a Ressurreição.
“Com Cristo, não ressuscita apenas um homem: ressuscita a esperança do mundo.”
Na Sé de Lisboa, repleta de fiéis, entre os quais dezenas de turistas, D. Rui Valério afirmou que a cultura é atualmente “marcada por um profundo materialismo” onde cresce um “fenómeno silencioso e dramático” que caracteriza como “analfabetismo humano e espiritual”. “Uma cultura que mede tudo pelo útil, pelo imediato, pelo visível. Uma cultura que perdeu o sentido do mistério e do eterno e, assim, o sentido da vida.”
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Segundo D. Rui Valério, o homem conhece hoje as linguagens da técnica, mas esqueceu a “linguagem da fé” e silenciou “as declinações da proximidade e da compaixão”. “Habituaram-se a viver como se Deus não existisse. E o esquecimento de Deus levou ao esquecimento do homem pelo homem. Deste esquecimento nasceu a indiferença. Uma indiferença que não nega Deus, simplesmente O ignora, como ignora os apelos lancinantes dos frágeis, dos pobres e vulneráveis”, afirmou, dizendo que assim a alma “empobrece” e o sentido da vida fica obscurecido. “E assim o homem contemporâneo, rodeado de meios, torna-se muitas vezes incapaz de responder às perguntas fundamentais: Para quê viver? Para onde caminhar? Qual o sentido da vida?”
Afirmando que “Cristo ressuscitado é o antídoto para o vazio do nosso tempo”, que “revela que o fundamento da existência não é a matéria, mas Deus (…), o amor a Ele e aos irmãos”, o Patriarca afirmou que “quando o homem perde o horizonte do eterno, fecha-se no imediato”. Para D. Rui Valério, “o mundo de hoje não precisa apenas de soluções técnicas”. “Precisa de homens e mulheres que não tenham medo de Deus. Que não tenham vergonha da fé. Que não vivam fechados no imediato, mas abertos ao infinito”, rematou.
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