Campanha contra "discurso de ódio" que "mina a convivência democrática"
09 abr, 2026 - 18:14 • Ângela Roque
Iniciativa da EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza envolve figuras públicas, mas quer chegar a todos, para contrariar “normalização” das palavras e atitudes que ofendem. Face ao interesse que está a despertar, a campanha vai ser prolongada até final de abril.
É urgente contrariar a “normalização” do discurso de ódio e das atitudes discriminatórias. É esse o objetivo da campanha lançada esta semana pela EAPN Portugal - Rede Europeia Anti-Pobreza.
À Renascença, Maria José Vicente diz que é preciso alertar e sensibilizar as pessoas para o peso de certas palavras e ações, travando a ligeireza com que hoje se parte para a ofensa.
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“Expressões que ouvimos diariamente, e que há uns anos poderíamos ficar surpreendidos, agora há a tendência para ‘normalizar’ essas expressões e não ter presente que se trata, efetivamente, de discriminação. Começa a ganhar espaço na linguagem, e na forma como certas mensagens se repetem e até parecem ‘normais’. É este ‘normalizar’ que queremos combater”, explica.
"O discurso de ódio não é argumento" é o tema da campanha. Lançada pela primeira vez em 2021, em plena pandemia, foi agora recuperada face ao aumento de casos e situações na sociedade portuguesa, em que se discriminam os mais vulneráveis, pertençam ou não a minorias.
“O discurso de ódio tem um impacto na vida das pessoas. Sobretudo mina a convivência democrática e torna mais fácil excluir quem já está numa posição vulnerável”, refere Maria José Vicente.
Esta responsável conta que diariamente chegam à EAPN Portugal relatos de situações que configuram ofensas, promoção do ódio e discriminação. Confirma, por exemplo, a tendência crescente de se culpar os mais pobres pela situação em que se encontram.
“Em relação às pessoas em situação de pobreza e exclusão social, sim, também há um aumento da imagem negativa, do preconceito e de algumas ideias preconcebidas. Há a tendência para culpabilizar as pessoas por esta situação. Mas, as pessoas não nascem pobres, não é? Podem cair na pobreza em determinado momento da sua vida. Mas, o discurso que as culpabiliza está a aumentar na sociedade portuguesa”.
A campanha "O discurso de ódio não é argumento" envolve várias figuras públicas. António Raminhos, Ágata, Jorge Gabriel, Gustavo Carona e o chef Rui Paula são convidados a vestir uma t-shirt com frases que “desmontam” os discursos discriminatórios, dando, literalmente, a “volta ao texto”.
Segundo Maria José Vicente, “no início de cada uma das seis frases da campanha estão expressões que nós ouvimos no dia-a-dia, e que contêm aquela parte do discurso de ódio, ou de algum tipo de discriminação. Depois, a segunda parte da frase é já com aquilo que nós defendemos para desconstruir essa discriminação, esse preconceito e esse discurso de ódio”.
“Toda a gente sabe que o lugar da mulher é onde ela quiser”, “Faziam bem era se fossem trabalhar com ordenados dignos” e “Vai mas é para a tua terra, aqui não há lugar ao racismo”, são algumas das frases da campanha, que pretende envolver o máximo de pessoas.
“Quem quiser aderir à campanha e vestir a camisola pode entrar em contato com a EAPN Portugal através do e-mail geral@eapn.pt, indicando o tamanho da t-shirt e também a frase que pretendem adquirir. Tem um custo de 8 euros”, adianta Maria José Vicente.
A campanha foi pensada para coincidir com a Semana da Interculturalidade (7 a 14 de abril) – iniciativa que a EAPN também organiza, desde 2014, por ocasião do Dia Internacional da Pessoas Cigana, que se assinala a 8 de abril. Mas, face ao interesse que a campanha está a despertar foi já prolongada até final do mês, admitindo-se que possa prosseguir em maio.
Os pormenores podem ser consultados no site e redes sociais da EAPN-Portugal.
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- 15 abr, 2026









