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“Basta de guerra”: Papa apela à paz e critica escalada militar

11 abr, 2026 - 18:15 • Aura Miguel , Fábio Monteiro Lusa

Conflito entre Irão, Israel e Estados Unidos intensifica cenário de instabilidade. Papa Leão XIV denuncia violência e apela à responsabilidade dos líderes. Mensagem destaca sofrimento das populações e rejeição da lógica de guerra.

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O Papa Leão XIV presidiu, este sábado, à oração do Rosário na Basílica de São Pedro, num momento dedicado à invocação da paz, reunindo fiéis no Vaticano e em vários pontos do mundo.

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Na reflexão, o pontífice enquadrou o atual cenário como um período particularmente crítico, apontando para a repetição de padrões de violência e destruição que continuam a marcar a realidade internacional.

“A guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história. A oração não é, com efeito, um esconderijo para fugir às nossas responsabilidades, nem um anestésico para evitar a dor que tanta injustiça desencadeia.” afirmou Leão XIV.

“Elevemos, pois, o olhar! Levantemo-nos das ruínas! Nada nos pode encerrar num destino já escrito, nem mesmo neste mundo em que os sepulcros parecem não ser suficientes, porque se continua, sem direito e sem piedade, a crucificar e a aniquilar a vida.” acrescentou o Papa.

O líder da Igreja Católica contrapôs à lógica militar uma visão assente na dignidade humana e na superação da violência, num contexto em que o uso de armamento e tecnologia de guerra continua a marcar o terreno.

“Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão.” afirmou Leão XIV.

Na intervenção, o Papa criticou também a glorificação do poder e da força, alertando para as consequências humanas do conflito, particularmente visíveis nas populações civis.

“Irmãos e irmãs, quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe.” disse o Papa.

“Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida.” sublinhou Leão XIV.

O pontífice destacou ainda o impacto da guerra nas crianças, referindo relatos provenientes das zonas afetadas pelo conflito, que evidenciam o sofrimento causado pela violência.

“Recebo muitas cartas de crianças das zonas de conflito: ao lê-las, percebe-se, com a verdade da inocência, todo o horror e a desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!” afirmou.

Dirigindo-se aos responsáveis políticos, o Papa lançou um apelo direto ao fim das hostilidades e ao regresso ao diálogo diplomático como única via sustentável.

“Queridos irmãos e irmãs, certamente há responsabilidades inalienáveis que incumbem aos governantes das nações. A eles, nós clamamos: parai! É tempo de paz! Sentai-vos às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte! Existe, porém, uma responsabilidade, não menos importante, que recai sobre todos nós, homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que repudia a guerra, com obras, e não apenas com palavras.” afirmou Leão XIV.

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