padre tony neves
Papa começa viagem africana na Argélia, "uma área complicadíssima"
12 abr, 2026 - 22:14 • Ângela Roque
Viagem apostólica do Papa a África começa esta segunda-feira. Percurso inclui 11 cidades em quatro países ao longo de 10 dias. Argélia surge como primeira etapa, marcada por restrições religiosas.
O padre Tony Neves, missionário espiritano, diz que a Argélia, primeiro país de viagem do Papa Leão XIV a África, é, para a Igreja, "uma área complicadíssima".
"É muito difícil obter vistos para trabalhar lá. Nós, espiritanos, estamos lá, não na diocese de Argel, mas na diocese de Oran. Estamos lá há mais de 50 anos. Temos alguns espiritanos que nasceram ali, no tempo colonial francês. É uma área complicadíssima", diz Tony Neves à Renascença, no momento em que o Papa se prepara para visitar Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.
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O sacerdote descreve as dificuldades enfrentadas pela Igreja Católica no país, destacando desde logo as restrições sentidas na Argélia, país de maioria muçulmana onde a liberdade religiosa é limitada e a presença cristã enfrenta várias restrições.
"É uma presença que temos de reequacionar sempre, porque há quem saia e depois não consiga visto para poder regressar. Os vistos para os novos são concedidos a conta-gotas e com muita dificuldade", conta.
"Há regras muito rigorosas: nós só podemos trabalhar com estrangeiros. Aliás, a Igreja católica só é tolerada para poder acompanhar espiritualmente as pessoas que não são argelinas e que vêm para ali trabalhar. Sendo de origem cristã, o governo ainda tolera que haja um acompanhamento espiritual destas pessoas", diz, ainda, o missionário.
Neste quadro, Tony Neves vê nesta visita "uma decisão corajosa" de Leão XIV, tendo em conta o contexto religioso e político do país.
O sacerdote sublinha também o significado simbólico da deslocação, associando-a às origens do Papa enquanto religioso agostiniano, numa terra ligada à figura de Santo Agostinho e à história da Igreja. Para muitos argelinos, esta visita terá ainda um impacto inédito, ao permitir o primeiro contacto com um líder cristão.
"Há uma enorme geração de argelinos que não sabe que existem cristãos e, com a ida do Papa, irão ver um cristão pela primeira vez na sua história. E um cristão especial, que os representa: o chefe da Igreja católica. Nesse sentido, é uma etapa simbólica e importante. Mas, claro, para o Papa é, sobretudo, uma ida às suas raízes, à sua fonte enquanto monge agostinho de origem", diz Tony Neves.
A viagem prossegue depois para os Camarões, Angola e Guiné Equatorial, numa agenda que inclui encontros com comunidades locais e análise dos desafios enfrentados pela Igreja Católica em diferentes contextos africanos.
- Noticiário das 14h
- 14 mai, 2026








