Argélia muçulmana acolhe pela primeira vez a visita de um Papa
13 abr, 2026 - 06:15 • Aura Miguel
Leão XIV inicia esta segunda-feira uma viagem a quatro países africanos. Agenda inclui 11 cidades e 17 voos. Visita destaca diversidade cultural e religiosa da região.
O Papa Leão XIV inicia esta segunda-feira uma viagem a quatro países africanos, em na qual vai passar por onze cidades e fazer 17 voos para encontrar realidades e línguas diferentes, com regimes igualmente complexos.
Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial estão da rota de uma viagem que revela uma clara preferência deste Papa por África.
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É a primeira vez que um Papa visita oficialmente a Argélia, país esmagadoramente muçulmano, onde os católicos são pouco mais de 6 mil, numa população de 48 milhões. Com um sistema totalitário, mas estável, o país foi vítima, nos anos 90, do terrorismo islâmico e foi nessa década que assassinaram um bispo, Pierre Claverie, e vários religiosos e religiosas, no total, 19 mártires da fé, beatificados em 2018.
A preferência do Papa por esta terra tem a ver com a sua vocação religiosa. Leão XIV, no dia em que foi eleito Papa, apresentou-se como “filho de Santo Agostinho” e, por isso, fez questão de começar esta visita pela Argélia, a terra natal do seu “pai espiritual”. Agostinho nasceu e foi bispo em Hipona, hoje com outro nome, Annaba, cidade que visitará amanhã.
Prevost conhece, no entanto, a realidade deste “pequeno rebanho de fiéis”, pois já visitou duas vezes a Argélia, em 2004 e em 2009, quando era Superior-geral dos Agostinianos. Agora, como Papa, será acolhido no aeroporto de Argel pelo Presidente da República, Abdelmadjid Tebboune. Além dos discursos protocolares com as autoridades, o Papa visitará ainda hoje a Grande Mesquita de Argel e terá encontros com um grupo de religiosas e, depois, com a comunidade católica, na Basílica de Nossa Senhora de África.
O lema escolhido para esta visita, “A paz esteja convosco”, surge também traduzido em árabe, "Assalamu Alaykom". Os organizadores explicam que a frase representa o diálogo e o encontro entre cristãos e muçulmanos e é um convite universal para viver a paz, a fraternidade e a coexistência harmoniosa.
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