Leão XIV. "O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz"
13 abr, 2026 - 17:13 • Daniela Espírito Santo
Na primeira viagem à Argélia como líder da Igreja Católica, o Papa deixa um recado: a paz, que "permite enfrentar o futuro com o coração reconciliado", só é possível "através do perdão".
Leão XIV iniciou, esta segunda-feira, uma viagem a quatro países africanos. A visita, que inclui 11 cidades e 17 voos, começou na Argélia onde o Papa, esta manhã, visitou o Memorial do Mártir Maqam Echahid.
Esta é a primeira viagem de Leão XIV à Argélia como líder da Igreja Católica, mas este é um país que, enquanto "religioso agostiniano", conhece bem, uma vez que já lá tinha estado duas vezes no passado, como o próprio fez questão de salientar no seu primeiro discurso no continente africano.
Começando o discurso com um "As-salamu alaykom" ("que a paz esteja convosco"), Leão XIV deu "graças a Deus" por lhe dar a possibilidade de visitar novamente o país, berço de um "povo forte e jovem", agora como "sucessor do apóstolo Pedro".
De seguida, explicou por que razão visitou o memorial logo após ter aterrado no Aeroporto Internacional de Argel “Houari Boumédiène”. "Visitar este monumento é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação. Neste lugar, recordamos que Deus deseja a paz para todas as nações: uma paz que não é apenas ausência de conflito, mas expressão de justiça e dignidade", salienta, deixando um recado: a paz, que "permite enfrentar o futuro com o coração reconciliado", só é possível "através do perdão".
"A verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações", reitera.
De olhos postos num mundo onde "os conflitos continuam a multiplicar-se", Leão XIV admite perceber "como é difícil perdoar". No entanto, defende que "não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração".
"O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz", ressalva.
Para Leão XIV, a justiça irá sempre triunfar sobre a injustiça e a violência, "apesar das aparências", "nunca terá a última palavra", deixando a Argélia como exemplo.
"Nesta terra, ponto de encontro de culturas e religiões, o respeito mútuo constitui o caminho por onde os povos podem caminhar juntos. Possa a Argélia, com a força das suas raízes e a esperança dos seus jovens, continuar a oferecer um contributo de estabilidade e diálogo na comunidade das nações e nas margens do Mediterrâneo", remata.
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