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Leão XIV. "Uma religião sem compaixão e uma vida social sem solidariedade são um escândalo aos olhos de Deus"

13 abr, 2026 - 18:47 • Daniela Espírito Santo

Papa na Argélia pede para se combater "quem lucra com a desgraça alheia", para que se eliminem "as causas do desespero" e se multipliquem os oásis de paz", entre o Mediterrâneo e o Saara.

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O Papa Leão XIV prossegue, esta segunda-feira, a sua visita à Argélia, país que visitou como "religioso agostiniano", em 2001 e 2013, e que agora visita como "Sucessor de Pedro".

Num encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático, no centro de Conferências “Djamaa el Djazair”, esta segunda-feira, garantiu estar no país como "peregrino da paz", e "desejoso de encontrar o nobre povo argelino", portador de um "profundo sentido religioso". É, de resto, este o "segredo de uma cultura do encontro e da reconciliação", assegura o Papa, que quer, com esta visita, fazer também disso sinal.

"Em um mundo cheio de confrontos e incompreensões, encontramo-nos e procuramos compreender-nos, reconhecendo que somos uma única família. Hoje, a simplicidade desta consciência é a chave para abrir muitas portas fechadas", começa por dizer, garantindo estar no país "como testemunha da paz e esperança que o mundo anseia ardentemente" e que o povo argelino "sempre procurou". "Um povo que nunca foi derrotado pelas suas provações, porque está enraizado naquele sentido de solidariedade, acolhimento e comunidade que tece o quotidiano de milhões de pessoas humildes e justas", defende Leão XIV, que diz que são estes "os fortes". "São eles os fortes, são eles o futuro: aqueles que não se deixam cegar pelo poder e pela riqueza, aqueles que não sacrificam a dignidade dos seus concidadãos em prol da sua fortuna ou de seu grupo", acrescenta, deixando um recado: "uma religião sem compaixão e uma vida social sem solidariedade são um escândalo aos olhos de Deus".

Leão XIV critica "tentativas neocoloniais" e "contínuas violações do direito internacional"

"No entanto, muitas sociedades que se consideram avançadas precipitam-se cada vez mais na desigualdade e na exclusão", admite, criticando "as pessoas e as organizações que dominam os outros", e que "destroem o mundo que o Altíssimo criou para que vivêssemos juntos".

Usando os "dramáticos acontecimentos históricos passados" da Argélia, que oferecem ao país "um particular olhar crítico sobre os equilíbrios mundiais", como exemplo, Leão XIV pede ao povo para "dialogar com as necessidades de todos" e solidarizarem-se "com o sofrimento de tantos países próximos e distantes". Para o Papa, a experiência argelina "poderá contribuir para imaginar e concretizar uma maior justiça entre os povos".

"Não multiplicando incompreensões e conflitos, mas respeitando a dignidade de cada um e deixando-vos tocar pela dor alheia, podereis tornar-vos verdadeiros protagonistas de um novo curso da história – hoje mais urgente do que nunca – face às tentativas neocoloniais e às contínuas violações do direito internacional", reitera o Sumo Pontífice.

Como forma de combater este flagelo, Leão XIV exorta quem detém autoridade no país a "promover uma sociedade civil viva, dinâmica e livre", onde os jovens possam ver "reconhecida a capacidade de contribuir para alargar o horizonte da esperança para todos".

"Combatamos quem lucra com a desgraça alheia"

"A verdadeira força de um país reside na cooperação de todos para a realização do bem comum", reitera, repetindo que as autoridades "não são chamadas a dominar, mas a servir o povo". Até porque, recorda o Papa, sem justiça "não há paz autêntica".

Aproveitando o momento, não deixou de abordar a "enorme importância" dos pontos de encontro geográficos e espirituais que se encontram "entre o Mediterrâneo e o Saara" e que são, historicamente, "tesouros da humanidade", mas que estão, agora, envoltos em desespero e no mal. "Há milénios o mar e o deserto são locais de enriquecimento mútuo entre os povos e as culturas. Ai de nós, se os transformarmos em cemitérios onde morre a esperança", avisa, fazendo um pedido direto: "Libertemos do mal estas imensas bacias de história e futuro! Multipliquemos os oásis de paz, denunciemos e eliminemos as causas do desespero, combatamos quem lucra com a desgraça alheia!", exclama, criticando os "ganhos ilícitos" daqueles que "especulam com a vida humana", cuja "dignidade é inviolável".

O papel da Igreja Católica neste último ponto é muito concreto: perante quem utiliza os "símbolos e palavras religiosas" como "linguagens blasfemas de violência e opressão" ou como "sinais já sem significado", usados no "mercado de bens de consumo que não saciam", há que demonstrar inteligência e não medo.

"É necessário educar para o espírito crítico e a liberdade, para a escuta e o diálogo, para a confiança que nos faz reconhecer no diferente um companheiro de viagem e não uma ameaça", repete, pedindo para que se trabalhe "pela cura da memória" e pela "reconciliação entre antigos adversários". "É este o dom que peço para vós, para a Argélia e para o seu povo inteiro, sobre o qual invoco abundantes bênção do Altíssimo", remata.

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