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críticas de donald trump a leão xiv

“Não sou político, falo do Evangelho”. Papa diz que não debate com Trump

13 abr, 2026 - 09:44 • Olímpia Mairos , Aura Miguel, enviada especial da Renascença

O Papa Leão XIV diz que ouviu as declarações do Presidente dos Estados Unidos, mas adverte que não debate com Trump. “Não sou político, falo do Evangelho”, disse aos jornalistas durante o voo desta segunda-feira rumo a Argel. Os bispos dos Estados Unidos e vozes importantes do Vaticano já manifestaram desagrado face à intervenção de Trump.

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“Não sou político, falo do Evangelho”. Papa diz que não debate com Trump
Papa fala aos jornalistas durante a viagem até Argel: “A missão da Igreja é muito clara: bem-aventurados os construtores da paz." Foto: Alberto Pizzoli/Reuters

O Papa Leão XIV garantiu esta segunda-feira que vai continuar a erguer a voz contra a guerra e todas as formas de violência, no início da sua viagem apostólica ao continente africano.

As declarações foram feitas a bordo do avião que transportou o Papa até à Argélia, quando o Santo Padre foi questionado sobre as críticas que lhe foram feitas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de domingo.

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O Santo Padre foi questionado sobre as recentes críticas de Donald Trump. Sem entrar em confronto direto, preferiu sublinhar a sua missão espiritual.

“Não tenho medo da administração Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho, que é o propósito da Igreja. Não somos políticos. Não encaramos a política externa da mesma perspetiva que ele [Trump]”, disse Leão XIV, o primeiro Papa norte-americano, aos jornalistas que o acompanhavam no avião durante a viagem até à Argélia.

Não sou político, falo do Evangelho”, reafirmou o Papa, acrescentando que não pretende alimentar polémicas nem responder diretamente ao Presidente norte-americano.

"Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser deturpada da maneira como algumas pessoas estão a fazer", sublinhou.

Durante o breve encontro com os jornalistas, marcado por várias perguntas feitas em simultâneo, Leão XIV repetiu por diversas vezes que não teme pressões políticas e que a sua prioridade é clara: promover a paz.

A missão da Igreja é muito clara: bem-aventurados os construtores da paz”, afirmou. Nesse sentido, sublinhou que a Igreja tem a obrigação moral de denunciar a guerra e incentivar a reconciliação.

O Papa destacou também a importância da diplomacia num mundo marcado por conflitos, defendendo que existem sempre alternativas à violência. “A diplomacia encontrará soluções”, afirmou.

Leão XIV inicia assim uma viagem apostólica centrada na promoção da paz, num momento internacional particularmente tenso, reiterando que continuará a falar de forma clara contra a guerra e a favor do diálogo entre os povos.

Spadaro acusa Trump de “impotência” perante a voz moral do Papa Leão XIV

O subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, António Spadaro, reagiu às recentes declarações de Donald J. Trump dirigidas ao Papa Leão XIV, acusando o Presidente norte-americano de revelar “um mal-estar mais profundo” perante a voz moral da Igreja.

Numa publicação na sua conta pessoal na rede social X, Spadaro escreve que “quando o poder político se volta contra uma voz moral, é frequentemente porque não consegue contê-la , acrescentando que Trump “ não discute com Leão; implora-lhe que regresse a uma linguagem que ele possa controlar ”.

Spadaro sublinha que “o Papa fala outra língua, uma que não pode ser reduzida à gramática da força, da segurança ou do interesse nacional”, interpretando o ataque como “uma declaração de impotência”.

“Incapaz de absorver essa voz, o poder tenta deslegitimá-la. No entanto, ao fazê-lo, reconhece implicitamente o seu peso. Se Leão fosse irrelevante, não mereceria uma palavra”, escreveu, ainda, acrescentando que o Papa é “invocado, nomeado, contestado — um sinal de que as suas palavras importam”.

Na publicação, Spadaro defende que é neste contexto que emerge “a força moral da Igreja”, não como um contrapoder político, mas como “um espaço em que o poder é julgado por um padrão que não controla”.

“Leão não responde no terreno da polémica e, precisamente por isso, permanece fora do seu alcance. Ele é livre”, afirma.

O subsecretário conclui que essa liberdade, “desarmada e desarmante”, é “talvez o que mais perturba — e, ao mesmo tempo, o que mais importa”.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o Papa Leão XIV como “terrível”, numa publicação na rede social Truth.

O Papa Leão é terrível na política internacional, escreveu Trump.

Arcebispo dos EUA critica Trump e defende Leão XIV

O presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, arcebispo Paul S. Coakley, manifestou-se "desanimado" com os comentários de Donald Trump dirigidos ao Papa Leão XIV, sublinhando que o pontífice não deve ser visto como um adversário político.

O Papa Leão não é seu rival; nem o Papa é um político. Ele é o Vigário de Cristo que fala a partir da verdade do Evangelho e pelo cuidado das almas”, afirmou Coakley em comunicado, citado pela Reuters.

Leão XIV, natural de Chicago, é o primeiro papa oriundo dos Estados Unidos. Conhecido por escolher cuidadosamente as suas palavras, tem-se destacado nas últimas semanas como um crítico firme da guerra no Irão, tendo condenado a “loucura da guerra” num apelo à paz feito no sábado.

O pontífice já tinha levantado dúvidas, no ano passado, sobre a coerência das políticas de imigração de linha dura da administração Trump com os princípios pró-vida defendidos pela Igreja Católica.

Alguém que diz: ‘Sou contra o aborto, mas concordo com o tratamento desumano dos imigrantes nos Estados Unidos’, não sei se isso é pró-vida”, afirmou o Papa em setembro.

Trump escreveu, numa publicação no domingo, que “Leão devia comportar-se como Papa”, acrescentando posteriormente aos jornalistas que “não era grande fã” do pontífice.

O Presidente norte-americano acusou ainda Leão XIV de ser “fraco em relação às armas nucleares”, poucos dias após o Papa ter classificado como “verdadeiramente inaceitável” a ameaça de destruição da civilização iraniana.

Num discurso no Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa afirmou que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras e têm as “mãos cheias de sangue”, descrevendo o conflito no Irão como “atroz”.

Leão XIV apelou também a Trump para que encontre uma “saída” que permita pôr fim ao conflito e “diminuir a violência”.

Na mesma publicação, Trump sugeriu que o Papa terá sido eleito em 2025 por ser norte-americano, considerando que essa escolha seria “a melhor forma de lidar” com a sua presidência.

Recorde-se que Trump já tinha dirigido críticas ao Vaticano no passado, tendo chamado “vergonhoso” ao Papa Francisco no início de 2016.

O Papa Leão XIV já se encontra na capital da Argélia para uma viagem apostólica de dez dias em África. É a primeira vez que um Papa visita oficialmente a Argélia, um país de esmagadora maioria muçulmana, onde há pouco mais de seis mil católicos numa população de 48 milhões de pessoas.

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