Papa responde a Trump
Padre Jorge Cunha: "Papa agigantou-se e disse: não aparecemos inclinados diante das potências deste mundo”
13 abr, 2026 - 15:21 • Henrique Cunha
Resposta do Papa a Donald Trump é aplaudida pelo padre Jorge Cunha, professor de Teologia Moral da Universidade Católica. Sacerdote diz que a Igreja não se pode calar na defesa da paz.
O padre Jorge Cunha ficou surpreendido quando o Papa respondeu ao Presidente norte-americano durante a viagem que o levou esta segunda-feira até à Argélia.
Leão XVI garantiu "não ter medo, nem do governo Trump, nem de falar", sublinhando que o seu compromisso é a defesa do Evangelho.
Na opinião do padre Jorge Cunha, professor de Teologia Moral da Universidade Católica, a resposta do Papa surpreende porque, “normalmente, os Papas não respondem a coisas da atualidade”. Contudo, o sacerdote achou interessante que o Papa tenha respondido a Trump e que “tenha entrado a dizer que a Igreja não pode calar a sua mensagem acerca da paz e acerca da denúncia da guerra como modo eficaz de resolver os conflitos”.
“Isso foi muito bom e, portanto, creio que o Papa Leão aí se agigantou e disse: nós não aparecemos inclinados diante das potências deste mundo”, acrescentou.
Jorge Cunha não tem dúvidas de que “o Papa Leão esteve à altura” quando sublinhou que o seu comentário estava relacionado com “as soluções que a agenda do Presidente (Trump) está a levar por diante para resolver os problemas do mundo, e que não são manifestamente eficientes”.
O sacerdote diz que “o nosso problema é o povo iraniano, o nosso problema é o povo venezuelano, o nosso problema são os povos de todas as nações do mundo e a sorte dos povos não tem ficado melhor com a atuação dos grandes do mundo, não só do Trump, mas dos outros grandes do mundo. Eles têm posto em atuação formas de violência para resolver os problemas e essas formas de violência têm redundado em malefício dos povos, tanto dos povos dos países agressores como dos povos dos países agredidos”.
“Portanto, isso é que nós temos de dizer com clareza e o Papa Leão certamente era isso que tinha em mente quando lhe respondeu com toda a clareza dizendo que a igreja denuncia a guerra e a beligerância como solução para os problemas do mundo”, acrescenta.
Reforçando a ideia de que a "sorte dos povos não tem ficado melhor com a atuação dos grandes do mundo", o professor de teologia moral conclui com um novo aplauso à intervenção do Papa ao "enfrentar um grande da terra que tem imenso poder e pouca lucidez para o usar".
- Noticiário das 14h
- 14 mai, 2026








