Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes
Fernando Santos: “É uma obrigação anunciar a presença de Deus”
14 abr, 2026 - 11:15 • Henrique Cunha
Em entrevista à Renascença, o treinador Fernando Santos diz ter recebido com surpresa a noticia da atribuição do Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes. O júri designado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura valorizou a "autenticidade e o compromisso que sempre nortearam o projeto de vida de Fernando Santos no sentido desse humanismo cristão".
O vencedor do Prémio Árvore da Vida - Padre Manuel Antunes, Fernando Santos, diz, em entrevista à Renascença, que "Deus nunca permitiu que se afastasse".
"Houve um afastamento durante alguns tempos e a aproximação foi-se dando naturalmente", diz o treinador de futebol, campeão europeu com Portugal.
Fernando Santos revela ter ficado "agradavelmente surpreso" com a distinção do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Como é que recebeu a notícia desta distinção?
Com alguma surpresa. Pronto, fiquei, naturalmente, agradavelmente surpreso. Agora, não sei se mereço ou não, mas, pronto... O júri é que votou e, portanto, é normal que eu tenha tido essa agradável surpresa.
Surpreendido, sim, mas acabou por ser uma agradável surpresa.
Revê-se na contextualização que o júri faz para justificar a decisão de o ter escolhido?
Sim, acho que sim. Quer dizer, não é a mim que me compete dizer o que é justo ou o que não é justo, mas se o júri entendeu assim... Agora, tenho procurado pautar a minha vida por princípios e valores humanistas e que têm muito a ver com aquilo que é a Doutrina Social da Igreja.
O facto de o engenheiro Fernando Santos ter nascido no seio de uma família cristã foi fundamental ao seu percurso como católico?
Foi fundamental, porque fui batizado com pouco tempo de idade. Nasci em outubro de 1954 e fui batizado em janeiro e, portanto, esse é o momento determinante, porque, através do batismo eu recebi a Graça Santificante. Naturalmente que, depois, todo o percurso seguinte, no início com a catequese que culminou com o Sacramento do Crisma, marcou claramente a minha vida. Afastar-me nunca me afastei, nunca me afastei de Deus, porque também Ele nunca permitiu que isso me acontecesse. Nem Ele nem a Sua Mãe. Mas houve alguns momentos em que teria andado mais ou menos afastado, mas sem nunca, na realidade, me ter afastado, muito por causa disso, muito por essa força que ficou, uma espécie de um elástico. Quando eu tentei partir, algumas vezes, ou, pelo menos, quando pensava que queria partir, Deus nunca permitiu que isso acontecesse. Felizmente, graças a Deus para mim.
E essa reaproximação, se assim se pode chamar, deu-se com naturalidade?
Sim, porque nunca houve verdadeiramente um afastamento. Houve sim um afastamento daquilo que é a prática comum e natural do cristão, do católico-apostólico-romano. Houve um afastamento durante alguns tempos e a aproximação foi-se dando naturalmente e culminou com o momento em que eu percebi algo que estava fora do meu entendimento, que tem a ver com o Cristo estar vivo e com a Ressurreição.
Houve algum "clique" que o tenha despertado?
Sim, foi a sua Paixão, Morte e a Ressurreição. O clique foi esse, fundamentalmente, foi vivenciar que Cristo está realmente vivo, está no meio de nós, está presente em cada um de nós. Esse foi um momento importante, talvez o "clique" principal tivesse sido esse, foi passar a haver diálogo com Deus, que até ali era menor, digamos.
Ao longo da sua vida, como foi possível compatibilizar “o mundo do desporto” com a vivência cristã. São mundos por vezes considerados muito distantes?
Para já, não estão distantes. Não acho nada que estejam distantes, fazem parte da vida, como faz outra profissão qualquer. Portanto, isto não é uma questão de "como é possível conciliar?" É obrigatório conciliar. Esta é uma obrigação.
A partir do momento que eu descobri esta presença de Deus em cada um de nós, então o cristão tem uma obrigatoriedade em qualquer lugar. Isso faz parte da parte humana, também, até na parte humana do próprio Jesus Cristo, que é no trabalho, no dia-a-dia, na família, na rua, com os amigos. Esta é uma obrigação do cristão.
Esta alegria de conhecimento tem que se transmitir aos outros. O contrário, era um bocadinho guardar tudo debaixo da mesa e penso que isso é completamente errado. Ter esta alegria e não a transmitir aos outros, para que possam um dia também conhecer esta alegria, é muito errado.
E a sua vida profissional vai ser continuar a treinar?
Isso vamos ver. Vamos ver o que é que vamos fazer. A vida faz-se todos os dias, em todos os lugares, como eu disse. É isso que eu procuro fazer.
- Noticiário das 23h
- 15 mai, 2026








