REligião
Diocese de Setúbal lança inquérito para conhecer realidade dos migrantes
15 abr, 2026 - 12:55 • Olímpia Mairos
Estudo quer mapear condições de vida, integração e desafios enfrentados nas paróquias, com participação direta dos próprios imigrantes.
A Diocese de Setúbal lançou um inquérito para conhecer melhor a realidade dos migrantes presentes nas suas comunidades paroquiais. A iniciativa é promovida pela Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP), em parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal, e pretende recolher dados sobre condições de vida, integração e principais dificuldades no acesso a áreas como habitação, saúde, educação e trabalho.
O estudo, de caráter académico, já está a ser distribuído por todas as paróquias e pode ser respondido até 1 de junho, através de um código QR ou em suporte de papel.
Conhecer para agir melhor
A responsável da comissão, Elsa Melo, explica, em declarações citadas pelo site da diocese sadina, que a iniciativa nasce de uma preocupação concreta: “O que nos levou a realizar este inquérito foi a necessidade de compreender melhor a realidade da imigração na diocese.”
Segundo acrescenta, “surgiu a preocupação de conhecer de forma mais concreta quem são as pessoas imigrantes presentes nas nossas comunidades, quais as suas condições de vida, desafios e formas de integração”, sublinhando que “este levantamento pretende ajudar a Igreja local a responder de maneira mais informada, acolhedora e eficaz”.
Áreas-chave da integração em análise
O inquérito abrange áreas consideradas críticas para a integração, incluindo emprego, habitação, redes de apoio, formação profissional e segurança.
Nesse sentido, Elsa Melo destaca que “os objetivos passam por compreender de forma mais clara como se processa a integração dos imigrantes na sociedade”, procurando “analisar a sua realidade em termos sociais e económicos”. Além disso, refere que “visa também recolher a perceção dos próprios imigrantes relativamente à segurança e às suas condições de vida, identificando dificuldades, necessidades e oportunidades de melhoria”.
A participação é voluntária, anónima e confidencial, sendo os dados recolhidos exclusivamente para fins académicos. O prazo poderá ser alargado caso o número de respostas não seja suficiente.
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Migração vista como oportunidade
Para a responsável da CDJP, a presença de migrantes deve ser entendida como um fator de enriquecimento das comunidades: “A presença dos imigrantes constitui, de forma geral, uma mais-valia significativa para a vida das comunidades”, afirma, explicando que “trazem consigo novas vivências, culturas, formas de fé e dinamismos que enriquecem a Igreja local”. Ainda assim, reconhece desafios, mas enquadra-os como oportunidade: “Mais do que uma fonte de preocupação, trata-se de uma oportunidade que interpela a diocese a crescer no acolhimento, na inclusão e na solidariedade.”
Dar voz aos próprios migrantes
O estudo pretende também contribuir para uma mudança de perceções na sociedade. Como refere Elsa Melo, “a ideia é demonstrar que os imigrantes são uma mais-valia para a sociedade”, destacando o seu contributo para a criação de riqueza e a diversidade cultural, contrariando visões negativas.
Por fim, a responsável reforça a importância de dar voz direta aos migrantes: “A participação dos próprios imigrantes é fundamental.” Só assim, acrescenta, será possível compreender a realidade de forma autêntica e construir “uma visão mais justa, informada e equilibrada sobre as migrações”.
O inquérito surge num contexto em que Portugal tem registado um crescimento significativo da população imigrante. Na área da Diocese de Setúbal — que abrange os distritos de Setúbal e Beja — destacam-se comunidades provenientes de países como Brasil, Angola, Cabo Verde, Nepal e Bangladesh. Os resultados deverão ser divulgados posteriormente e servir de base à definição de respostas pastorais e sociais mais ajustadas.
Recorde-se que a Diocese de Setúbal é a única no país com uma paróquia dedicada especificamente aos migrantes, cuja sede se encontra na Igreja de Nossa Senhora do Monte Sião, na Amora, concelho do Seixal. A comunidade é liderada pelo padre Pablo Velasquez Avendaño, da Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos).
Ao contrário das paróquias territoriais, que estão delimitadas por uma área geográfica, esta paróquia pessoal dirige-se a “todos aqueles que, no território da Diocese de Setúbal, forem considerados migrantes, à luz dos critérios da lei canónica e da lei civil aplicável”, conforme estabelece o decreto de ereção.
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