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Papa nos Camarões. “A paz não se reduz a um slogan nem se decreta: acolhe-se e vive-se"

15 abr, 2026 - 19:07 • Aura Miguel

Leão XIV reiterou o convite a “rejeitar a lógica da violência e da guerra, para abraçar uma paz fundada no amor e na justiça”.

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“Servir o próprio país significa dedicar-se, com lucidez e consciência íntegra, ao bem comum de todo o povo: da maioria, das minorias e da sua harmonia recíproca”, disse o Papa no seu primeiro discurso em Yaoundé, a capital dos Camarões.

Perante o presidente Paul Biu, de 93 anos, há 44 anos ininterruptos no poder, e outras autoridades da nação, Leão XIV lembrou as graves tensões e a violência que afetam algumas regiões do Noroeste, do Sudoeste e do Extremo Norte, causando mortes e milhares de desalojados, famílias deslocadas e crianças privadas da escola.

Neste contexto, Leão XIV reiterou o convite a “rejeitar a lógica da violência e da guerra, para abraçar uma paz fundada no amor e na justiça”.

A paz desejada pelo Papa Leão é ”uma paz desarmada, não fundada no medo, na ameaça ou nas armas; e desarmante, porque capaz de resolver os conflitos, abrir os corações e gerar confiança, empatia e esperança. A paz não pode ser reduzida a um slogan: deve encarnar-se num estilo, pessoal e institucional, que repudie toda e qualquer forma de violência”, disse. “Por isso, reitero com veemência: «O mundo tem sede de paz […]. Chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados!». Este clamor pretende ser um apelo à vontade de contribuir para uma paz autêntica, colocando-a acima de qualquer interesse particular. Com efeito, a paz não se decreta: acolhe-se e vive-se”, afirmou no seu discurso, interrompido por aplausos.

O Papa pediu “visões e escolhas corajosas de paz” e revelou o seu grande desejo de “chegar ao coração de todos, em particular dos jovens, chamados a dar forma, também política, a um mundo mais equitativo e sedento de paz fundada no amor e na justiça.”

Leão XIV frisou ainda que “governar significa amar o próprio país e também os países vizinhos” e que o mandamento “ama o teu próximo como a ti mesmo” se aplica igualmente às relações internacionais. “Governar significa ouvir realmente os cidadãos, estimar a sua inteligência e capacidade de contribuir para a construção de soluções duradouras para os problemas”. A autoridade pública é chamada a ser “uma ponte, nunca um fator de divisão, mesmo onde parece reinar a insegurança” e deve ser “sempre exercida no respeito pelos direitos humanos, aliando rigor e magnanimidade, com especial atenção aos mais vulneráveis”.

O papel das mulheres, “incansáveis artífices da paz” e o seu empenho na instrução, na mediação e reconstrução do tecido social “é inigualável e representa um freio à corrupção e aos abusos de poder”, sublinhou Prevost. “Também por isso a voz delas deve ser plenamente reconhecida nos processos de tomada de decisão.

A sociedade civil deve ser considerada uma força vital para a coesão nacional” e ajudar a formar as consciências, “para promover a cultura do diálogo e o respeito pelas diferenças”. O Papa lembrou, no entanto, que para que a paz e a justiça se afirmem, “é necessário quebrar as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade, esvaziando-a de legitimidade” e “libertar o coração daquela sede de lucro que é idolatria”.

Por fim, o Santo Padre alertou contra “o veneno dos fundamentalismos”, valorizando o papel das tradições religiosas como “profetas de paz, justiça, perdão e solidariedade”. O Papa incentivou um diálogo inter-religioso que envolva os líderes religiosos nas iniciativas de mediação e reconciliação e, assim, “a política e a diplomacia podem valer-se de forças morais capazes de apaziguar as tensões, prevenir as radicalizações e promover uma cultura de estima e respeito mútuo”.

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