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Religião

Bispos solidários com o Papa nas denúncias contra a guerra e a corrupção

16 abr, 2026 - 15:17 • Ana Catarina André , Marisa Gonçalves

Além de manifestarem apoio a Leão XIV que na visita a quatro países africanos tem dado "um testemunho corajoso como peregrino da paz", os bispos consideram inaceitável “habituarmo-nos à pobreza e ao abandono dos mais vulneráveis”. Em conferência de imprensa em Fátima, o presidente da CEP abordou, ainda, o tema dos abusos na Igreja, garantindo que não houve qualquer "critério economicista” na base da redução dos montantes a atribuir às vítimas.

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Os bispos portugueses consideram que, “num tempo de tensões e incompreensões no plano internacional”, o Papa Leão XIV dá um “testemunho corajoso como peregrino da paz”.

Em comunicado, divulgado após a assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) que terminou esta quinta-feira, em Fátima, os prelados manifestam “plena comunhão e solidariedade com o Santo Padre”, referindo que Leão XIV está “ao serviço de uma convivência fraterna entre os povos”, que assenta “na justiça e na dignidade de cada pessoa”, convidando “todos os crentes e não crentes a construir caminhos de diálogo, reconciliação e fraternidade”.

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A propósito da viagem apostólica de Leão XIV a quatro países africanos, que começou no início da semana, num tempo de tensão entre o Vaticano e o Presidente dos Estados Unidos, a CEP sublinha que o Papa tem levado “uma palavra clara de denúncia da corrupção e um apelo firme à construção da paz em contextos marcados pela violência e pela injustiça”.

No mesmo comunicado, e a propósito dos 70 anos da Cáritas Portuguesa, os bispos manifestam “preocupação perante a persistência de situações estruturais que atingem gravemente as crianças, os idosos, as famílias e as pessoas em situação de sem-abrigo”.

“Não é aceitável habituarmo-nos à pobreza e ao abandono dos mais vulneráveis. Impõe-se, por isso, a promoção de políticas justas e respostas eficazes que salvaguardem a dignidade de cada pessoa”, sublinham, mencionando, uma vez mais, as migrações como “um desafio exigente para a Igreja e para a sociedade”.

Abusos. “Não houve qualquer critério economicista”

Em relação ao tema da proteção de menores e adultos vulneráveis, o novo presidente da CEP, D. Virgílio Antunes, sublinhou aos jornalistas que a Igreja não concorda que o Estado tribute as compensações financeiras atribuídas às vítimas. "É de justiça que o Estado português isente estas compensações de impostos. Seria mais um sinal de que também a sociedade e o Estado se solidarizam com uma causa da Igreja que é também de todos nós", disse.

Nesta altura, estão ainda em análise 9 pedidos. Para estes, o também bispo de Coimbra referiu que vai ser nomeada, “no mais curto espaço de tempo possível”, uma nova comissão para a fixação destas compensações, e garantiu que que “não houve qualquer critério economicista” que estivesse na base da redução dos montantes a atribuir. “A Igreja em Portugal, vou dizer, ‘aguentava’ que fosse menos, mas também ‘aguentava’ algo mais, mas foi uma reunião de fatores e a comparação com outros países teve muita importância”, disse D. Virgílio Antunes, justificando assim os valores finais que cada uma das vítimas vai receber.

O também bispo de Coimbra referiu, ainda, que a Comissão que propôs os valores a atribuir às vítimas “entendeu e viu” o seu trabalho “como uma sugestão e um trabalho prévio para a Conferência Episcopal e para os institutos religiosos”. “Parece-nos que não houve nenhuma violação do regulamento. Não houve desrespeito em absoluto, antes pelo contrário, do trabalho realizado pela Comissão de Atribuição das Compensações. Simplesmente tendo em conta outros fatores e outras informações, chegámos a esta conclusão que foi aprovada pela Conferência Episcopal”, disse, justificando, assim, os valores definidos entre 9 e 45 mil euros.

D. Virgílio Antunes referiu, ainda, que o futuro do grupo VITA, liderado por Rute Agulhas, não está ainda definido. "Temos algumas ideias, luzes, mas não queremos minimamente avançar sem um diálogo construtivo, sem ouvir as pessoas que estão diretamente envolvidas e que têm dado tanto a este processo na Igreja em Portugal."

À semelhança do que havia já dito D. José Ornelas, na abertura da assembleia plenária, os bispos voltaram a recordar, esta quinta-feira, que a Igreja está disponível para “partilhar, com as demais instituições, a experiência adquirida ao longo dos últimos anos”.“A Assembleia confirma a necessidade de continuar a garantir o adequado acolhimento e acompanhamento às vítimas, reforçando a prevenção e a formação para que seja possível consolidar estruturas e práticas que garantam uma verdadeira cultura de proteção e cuidado”, refere o comunicado.

Mudanças nas comissões episcopais

Nesta assembleia plenária em que D. Virgílio Antunes foi eleito presidente da CEP, foram também escolhidos os presidentes das comissões episcopais. Seis das 10 comissões têm um novo presidente: o Cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, assume a coordenação da Comissão Episcopal do Laicado Família e Vida; D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, a Comissão Episcopal da Mobilidade Humana; D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa, a Comissão da Missão e Nova Evangelização; D. Alexandre Palma, bispo auxiliar de Lisboa, a Comissão Episcopal das Comunicações Sociais; D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto, a Comissão Episcopal da Pastoral Social e D. Nélio Pita, bispo auxiliar de Braga, a Comissão Mista Bispos e Vida Consagrada.

Notícia atualizada às 18h com declarações finais da conferência de imprensa.

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