Papa nos Camarões
Papa em Bamenda: “Não se resignem, chegou o momento para mudar a história deste país”
16 abr, 2026 - 16:42 • Aura Miguel, enviada especial a África
Leão XIV pediu a este povo que não se resigne com a atual situação e que sejam protagonistas ativos da mudança.
A população de Bamenda, no noroeste dos Camarões, saiu à rua para acolher o Papa e saudá-lo com grande entusiasmo. Apesar da instabilidade, sofrimentos causados por tensões e violência de guerrilhas separatistas anglófonas, o povo cantou, dançou e aplaudiu, com gratidão, a visita do Sucessor de Pedro. A pequena cidade engalanou-se e muitos fiéis vestiram capulanas alusivas à visita.
“Venho até vós como peregrino da paz e da unidade, expressando a minha alegria por estar aqui a visitar a vossa terra e, sobretudo, por partilhar o vosso caminho, os vossos esforços e as vossas esperanças”, disse Leão XIV, na homilia que celebrou no aeroporto, antes de regressar a Yaoundé.
“São muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição”, reconheceu o pontífice. A pensar nos muitos problemas que marcam esta terra, o Papa denunciou as numerosas formas de pobreza, que continuam a afetar inúmeras pessoas com uma crise alimentar em curso; a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza; os graves problemas que atingem o sistema educativo e o sanitário, bem como a grande migração para o estrangeiro, em particular dos jovens.
A par dos problemas internos, “frequentemente alimentadas pelo ódio e pela violência, junta-se ainda o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no continente africano para o explorar e saquear”, acrescentou. “Tudo isto corre o risco de nos fazer sentir impotentes e de enfraquecer a nossa confiança. No entanto, este é o momento para mudar, transformar a história deste país. Hoje, amanhã não; agora, não no futuro!”
Leão XIV pediu a este povo que não se resigne com a atual situação e que sejam protagonistas ativos da mudança. “Chegou o momento de reconstruir, de recompor o mosaico da unidade, combinando as diversidades e as riquezas do país e do continente, de edificar uma sociedade onde reinem a paz e a reconciliação”.
Por fim, o Papa pediu a todos para vigiar a sua religiosidade, “para não se cair no engano de seguir aqueles caminhos que misturam a fé católica com outras crenças e tradições de carácter esotérico ou gnóstico, que, na realidade, têm frequentemente objetivos políticos e económicos”. E concluiu: “Só Deus liberta, só a sua Palavra abre caminhos de liberdade, só o seu Espírito nos torna pessoas novas, que podem mudar este país”.
- Noticiário das 9h
- 10 jun, 2026








