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Leão XIV: “África precisa de ser libertada da chaga da corrupção”

17 abr, 2026 - 18:32 • Aura Miguel

Leão XIV encontrou-se com estudantes universitários nos Camarões. Apelo à formação ética e científica marcou discurso na Universidade Católica da África Central. Combate à corrupção e desafios digitais estiveram no centro da intervenção.

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Leão XIV: “África precisa de ser libertada da chaga da corrupção”

Leão XIV encontrou-se com a comunidade académica na Universidade Católica da África Central. Aos estudantes, pediu para serem “pioneiros de um novo humanismo no contexto da revolução digital” e, aos professores, “exatidão científica e honestidade pessoal na formação dos alunos para libertar a África da corrupção”.

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O Papa afirmou que a Universidade deve ser um lugar de amizade, cooperação e, ao mesmo tempo, de interioridade e reflexão, num mundo em que muitos “parecem perder os seus pontos de referência espirituais e éticos, encontrando-se aprisionados no individualismo, nas aparências e na hipocrisia”. Leão XIV elogiou o lema desta universidade, «Ao serviço da verdade e da justiça», afirmando que “a consciência humana, entendida como o santuário interior onde homens e mulheres se descobrem interpelados pela voz de Deus, é o terreno sobre o qual assentar os alicerces justos e estáveis de todas as sociedades”.

Face às mudanças sociais nas sociedades contemporâneas, incluindo os Camarões, o pontífice alertou para “uma erosão dos pontos de referência morais que outrora orientavam a vida coletiva, que tende a aprovar de forma superficial algumas práticas outrora consideradas inaceitáveis”. E acrescentou:

“Os cristãos, e muito especialmente os jovens católicos africanos, não devem ter medo das ‘coisas novas’. E a vossa Universidade pode formar pioneiros de um novo humanismo no contexto da revolução digital, da qual o continente africano conhece bem não só os aspetos sedutores, mas também o lado obscuro das devastações ambientais e sociais provocadas pela busca desenfreada de matérias-primas e terras raras. Não desvieis a vossa atenção: é um serviço à verdade e a toda a humanidade”, afirmou Leão XIV.

Nos ambientes digitais, construídos para persuadir, a interação é otimizada a ponto de tornar supérfluo o encontro real; a alteridade das pessoas de carne e osso é neutralizada e a relação reduzida a uma resposta funcional. Mas, “caríssimos, vocês são pessoas reais!”. Depois denunciou:

“Quando a simulação se torna regra, a capacidade humana de discernimento atrofia-se e os nossos laços sociais fecham-se em circuitos autorreferenciais que já não nos expõem ao real”, afirmou Leão XIV.

Vivemos, então, como se estivéssemos dentro de bolhas impermeáveis umas às outras, sentimo-nos ameaçados por quem é diferente e perdemos o hábito do encontro e do diálogo. Assim, proliferam a polarização, os conflitos, os medos, a violência e até a própria relação com a verdade.

Aos professores, o Papa pediu para colocarem as suas competências ao serviço do bem comum, serem modelos de exatidão científica e honestidade pessoal capazes de educar a consciência dos alunos. “Com efeito, a África precisa de ser libertada da chaga da corrupção”, afirmou Leão XIV. E acrescentou que, para um jovem, essa consciência deve consolidar-se desde os anos de formação, graças ao rigor moral, ao desinteresse e à coerência de vida dos seus educadores e professores.

Os jovens aplaudiram e Leão XIV concluiu: “Ao darem testemunho da verdade, considerando especialmente as ilusões da ideologia e das modas, criam um ambiente em que a excelência académica se une naturalmente à retidão humana.”

Nas saudações que antecederam o discurso papal, o reitor lembrou que esta universidade nasceu da visão de São João Paulo II que, na sua visita de 1985 aos Camarões, participou na Conferência Episcopal da África Central e apresentou “um poderoso instrumento académico capaz de formar intelectuais, líderes sociopolíticos, agentes de influência e pastores espirituais”.

A Universidade Católica da África foi inaugurada a 7 de dezembro de 1991 e tem como padroeiro Santo Agostinho. Trata-se de uma aposta de formação académica com várias valências espalhadas por seis países: Camarões, República Centro-Africana, Congo Brazzaville, Gabão, Guiné Equatorial e Chade.

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