Leão XIV em Angola
Papa denuncia "interesses prepotentes que põem as mãos” nas riquezas de Angola
18 abr, 2026 - 18:07 • Aura Miguel , Henrique Cunha
Chegado a Luanda, Leão XIV defendeu que Angola pode crescer muito ”se, em primeiro lugar, os governantes acreditarem na multiformidade da sua riqueza".
No seu primeiro discurso em Angola, Leão XIV denunciou como, demasiadas vezes, se olhou e se olha para estas terras “para dar ou, mais frequentemente, para tirar algo”, considerando ser necessário “quebrar esta cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a uma mera mercadoria”.
Num encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático, na Sala protocolar junto ao Palácio Presidencial, o Papa referiu-se às riquezas materiais “nas quais, inclusivamente no vosso país, interesses prepotentes põem as mãos” e lamentou as quantidades de sofrimento, mortes, catástrofes sociais e ambientais que esta lógica extrativista acarreta. “Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”.
O Papa declarou que a África “tem uma necessidade urgente de superar situações e fenómenos de conflitualidade e inimizade, que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”, explicando que é só “no encontro e no diálogo que a vida floresce”.
No início desta visita apostólica de três dias, Leão XIV disse que deseja “ouvir e encorajar aqueles que já escolheram o bem, a justiça, a paz, a tolerância e a reconciliação” e também “invocar a conversão dos que, escolhendo caminhos opostos, impedem o seu desenvolvimento harmonioso e fraterno”.
Ao presidente João Lourenço e autoridades do país, o Santo Padre disse que Angola pode crescer muito ”se, em primeiro lugar, os governantes acreditarem na multiformidade da sua riqueza.”
Conhecedor das convulsões internas e feridas que ainda afetam o país, Leão XIV deixou um conselho: “Não temais as divergências, nem extingais as visões dos jovens e os sonhos dos idosos. Sabei, sim, gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. Colocai o bem comum acima do das partes, não confundindo nunca a vossa parte com o todo. Então, a história dar-vos-á razão, mesmo que, no imediato, alguns vos sejam hostis”.
Sobre a riqueza do povo angolano e a “reserva de alegria” que define os jovens, Leão XIV sublinhou que “a sabedoria de um povo não se deixa esmorecer por nenhuma ideologia e, realmente, o desejo de infinito que habita o coração humano é um princípio de transformação social mais profundo do que qualquer programa político ou cultural”.
Num discurso lido em português, com boa pronúncia, o Papa começou por solidarizar-se com as vítimas das recentes inundações em Benguela, que causaram 45 mortos e mais de 50 mil pessoas deslocadas.
- Noticiário das 14h
- 12 mai, 2026








