Leão XIV diz que Angola “tem sede de paz e fraternidade” e denuncia “chaga da corrupção”
19 abr, 2026 - 11:28 • Aura Miguel com Henrique Cunha
Papa Leão XIV lembra a história de Angola “um país belíssimo e ferido, que tem fome de esperança, paz e fraternidade” e pede a construção de “um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam”. Na homília da Missa a que presidiu esta manhã, em Kilamba, o Papa exortou os angolanos a “não perder a esperança”, nem a ficarem “paralisados pelo desânimo”, e pediu para que “a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”.
Leão XIV começou a sua homília, deste 3º domingo de Páscoa, agradecendo “o festivo acolhimento” e aproveitou a liturgia da palavra de hoje, e em particular o Evangelho dos discípulos de Emaús, onde viu refletida “a história de angola, deste país belíssimo e ferido, que tem fome e sede de esperança, de paz e de fraternidade”.
“Na verdade, ao longo do caminho, a conversa dos dois discípulos, que recordam com desânimo o que aconteceu ao seu Mestre, traz à memória a dor que marcou o vosso país: uma longa guerra civil com o seu rasto de inimizades e divisões, de recursos desperdiçados e de pobreza”, sublinhou.
O Papa lembrou que “quando, durante muito tempo, se permanece imerso numa história tão marcada pela dor, corre-se o mesmo risco dos dois discípulos de Emaús: perder a esperança e ficar paralisados pelo desânimo”, mas trouxe a certeza de que não “estamos sozinhos”; uma realidade que é “capaz de aliviar as feridas e reacender a esperança”.
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Perante a história do país e “as consequências ainda difíceis” que os angolanos suportam, em particular “os problemas sociais e económicos e as diversas formas de pobreza”; Leão XIV entende que essas realidades “exigem a presença de uma Igreja que saiba estar próxima no caminho e saiba ouvir o clamor dos seus filhos”. “Uma Igreja que, com a luz da Palavra e o alimento da Eucaristia, saiba reavivar a esperança perdida”, acrescentou.
E numa mensagem direta à Igreja angolana, o Papa referiu que “Angola precisa de bispos, sacerdotes, missionários, religiosas e religiosos, leigas e leigos que tenham no coração o desejo de partir a sua vida e doá-la uns aos outros, de se empenhar no amor e no perdão mútuos, de construir espaços de fraternidade e paz, de realizar gestos de compaixão e solidariedade para com quem mais precisa”.
Numa homília que realçou o passado difícil de Angola, Leão XIV assegurou ser possível um país mais unido. O Papa disse que “unidos ao único Senhor, também nós podemos e queremos construir um país onde as antigas divisões sejam superadas para sempre, onde o ódio e a violência desapareçam, onde a chaga da corrupção seja curada por uma nova cultura de justiça e partilha”. “Só assim será possível um futuro de esperança, sobretudo para os muitos jovens que a perderam”, acrescentou.
Leão XIV insistiu na necessidade de se “o olhar para o futuro com esperança e construir a esperança do futuro” e pediu: “Não tenhais medo de o fazer!”.
O Papa terminou a sua homilia garantindo aos milhares de fiéis que podem “contar com a proximidade e com a oração do Papa”, com a certeza de que também pode contar com os angolanos.
“Confio-vos à proteção e à intercessão da Virgem Maria, Nossa Senhora de Muxima, para que Ela vos sustente sempre na fé, na esperança e na caridade”, concluiu.
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