Papa em Angola: “Nunca desistam de denunciar injustiças e façam festa pela paz!”
20 abr, 2026 - 18:27 • Aura Miguel
Papa destaca coragem da Igreja em Angola na promoção da paz. Leão XIV apela à denúncia contínua das injustiças e à reconciliação. Encontro reuniu responsáveis religiosos e catequistas em Luanda.
O último grande encontro do Papa em Angola decorreu esta tarde, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. Leão XIV reuniu-se com os bispos, sacerdotes, religiosos e catequistas e manifestou a sua gratidão “pelo trabalho de evangelização realizado neste país; pela esperança de Cristo semeada no coração do povo; pela caridade para com os mais pobres”. E também “por continuardes com perseverança a construir o progresso desta nação sobre os sólidos alicerces da reconciliação e da paz”.
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Dirigindo-se aos presentes, o Santo Padre lembrou que “a vossa fidelidade em Angola, como a de todos os agentes pastorais no mundo inteiro, encontra-se hoje particularmente vinculada ao anúncio da paz”. Recordou que, “noutros tempos, fostes corajosos em denunciar o flagelo da guerra, em suportar as populações flageladas, permanecendo a seu lado, em construir e reconstruir, em apontar caminhos e soluções para pôr fim ao conflito armado, contributo comumente reconhecido e apreciado. Mas este trabalho não acabou!”.
Pediu ainda para se promover “uma memória reconciliada, educando todos para a concórdia e prezando, no meio de vós, o testemunho sereno daqueles irmãos e irmãs que, depois de passarem tormentos dolorosos, tudo perdoaram. Alegrai-vos com eles! Fazei festa pela paz!”.
Leão XIV quis sublinhar as palavras de Paulo VI, “o desenvolvimento é o novo nome da paz”, para pedir a todos “que nunca desistam de denunciar injustiças, apresentando propostas segundo a caridade cristã e a colaborar para o desenvolvimento integral deste país”.
Destaque especial mereceu “o heroico testemunho de fé de tantos angolanos e angolanas, missionários e missionárias aqui nascidos ou vindos do estrangeiro, que tiveram a coragem de dar a vida por este povo e pelo Evangelho, preferindo morrer a trair a justiça, a verdade, a misericórdia, a caridade e a paz de Cristo”.
Igualmente decisivo na evangelização de Angola continua a ser o papel dos catequistas, “expressão fundamental da vida da Igreja, que pode servir de inspiração para as comunidades católicas nos quatro cantos do mundo”, disse o pontífice.
Testemunhos de paz
Antes das palavras do Papa, houve vários testemunhos. O anfitrião, D. José Imbamba, presidente da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé), recordou os desafios lançados pelos Papas nas duas visitas anteriores, João Paulo II e Bento XVI.
Lembrou, em 1992, que “Angola tem um destino de paz” e, Bento XVI, em 2009, a “não ter medo de oferecer a Cristo a vossa vida”. D. José disse a Leão XIV que “Inspirados por este legado, aqui se encontra representada a força viva da nossa Igreja: homens e mulheres que são os rostos de uma Igreja em saída, que não teme as periferias e que tudo faz para levar o Evangelho a cada canto do nosso país”.
Manuel de Almeida, catequista, com 61 anos, casado e pai de sete filhos, foi outro dos testemunhos. Conta que, para cumprir a sua missão, “foi preciso amor à Igreja, espírito de sacrifício e coragem” para enfrentar longas distâncias sem transporte e o perigo de minas.
“Muitas vezes fui preso por homens armados, acusando-me de colaborador com a força inimiga”, disse Manuel de Almeida. “Às vezes era impedido de realizar celebrações da Palavra e o culto dominical, para participar em reuniões político-partidárias ou reuniões convocadas pelas autoridades tradicionais, prática que ainda acontece hoje em não poucas regiões da nossa Diocese.”
A rede de catequistas em Angola sempre foi decisiva no crescimento da fé. E os números falam por si: atualmente, os catequistas regionais são 1.375 e os locais, ou líderes de comunidades, 2.560.
Manuel de Almeida sublinhou, no entanto, algumas dificuldades: a falta de mais catequistas, a multiplicação de seitas religiosas, a crença na feitiçaria, as péssimas vias de acesso e a falta de meios de transporte.
- Noticiário das 12h
- 12 mai, 2026








