Ouvir
  • Noticiário das 0h
  • 10 jun, 2026
A+ / A-

Viagem Apostólica

Papa diz que prioridade no Irão é “evitar mortes inocentes” e não mudança de regime

23 abr, 2026 - 21:35 • Aura Miguel , Alexandre Abrantes Neves

Na viagem de regresso a Roma, Leão XIV pediu uma nova cultura pela paz e a retoma rápida das negociações EUA-Irão para evitar sofrimento dos inocentes. Sobre migrantes, o Papa deixou um aviso: “não pode ser tratados pior do que animais de estimação."

A+ / A-

Numa altura em que ainda não há consenso para retomar as negociações de paz entre Estados Unidos da América (EUA) e Irão, o Papa Leão XIV pediu esta quinta-feira soluções que venham de uma “cultura de paz e não de ódio e divisão”, reafirmando que jamais “será a favor da guerra”.

A bordo do avião papal, na viagem de regresso da Guiné Equatorial para Roma, Leão XIV lamentou, uma vez mais, as “pessoas inocentes” no Irão que estão a sofrer com o conflito e que devem ser protegidas, o que “não tem acontecido em tantos lugares” – incluindo, com pessoas e sítios conhecidos pelo Papa.

“Trago comigo uma foto de um menino muçulmano que, na visita ao Líbano, estava à minha espera com um cartaz de boas-vindas e, recentemente, foi morto na guerra. Há tantas situações humanas e devemos enfrentá-las. Como Igreja, enquanto Pastor, não posso ser a favor da guerra e quero encorajar todos a procurar respostas que venham de uma cultura de paz, e não de ódio e divisão”, assinalou.

Na leitura de Leão XIV, o mundo atual precisa de trabalhar numa nova “cultura pela paz”, que permita combater os impulsos de entrar pela guerra e pela violência para resolver tensões geopolíticas. Por essa razão, aponta que o essencial no Irão agora não é pensar sobre a mudança de regime, mas sim garantir que não há mais mortes inocentes.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

“Se é preciso mudar ou não o regime, a questão não é tanto essa, mas sim como promover os valores em que acreditamos sem causar a morte a tantos inocentes”, afirmou. “O que quero é encorajar a continuação do diálogo pela paz. Que as partes participem e procurem e ponham todo o empenho pela paz. Contra a ameaça da guerra, que se respeite o direito internacional”.

Já quanto às investidas das autoridades iranianas sobre manifestantes contra o regime dos Aiatolas, Leão XIV também se mostrou bastante crítico – e disse que jamais pode tolerar as condenações à morte de opositores políticos em Teerão.

“Condeno todas as ações injustas, condeno tirar a vida a pessoas, condeno a pena capital. Acredito que a vida humana deve ser plenamente respeitada e que todas as pessoas, desde a conceção até à morte natural, devem ter a sua vida respeitada e protegida. Por isso, quando um regime ou país tira a vida das pessoas injustamente, é algo que, obviamente, deve ser condenado”.

“Migrantes não podem ser tratados pior dos que os animais de estimação”

Depois de dez dias em que passou por vários países de África, incluindo Angola, Leão XIV deixou também uma última reflexão sobre as crises migratórias da atualidade, criticando as políticas restritivas que tem surgido nos últimos anos.

“Em todo o caso, os migrantes são seres humanos e devem ser tratados de um modo humanitário e não os tratar pior dos que os animais de estimação”, vincou.

Na leitura do Papa, os países têm o direito a “controlar as fronteiras” e a criar “regras” à imigração, mas isso não deve ser feito de forma irresponsável – as nações com maior poderio económico, devem aumentar os apoios aos países mais pobres e com maiores êxodos populacionais.

“O que faz o Norte Global para ajudar o Sul Global, ou aqueles países onde os jovens hoje não encontram um futuro? Então, vivem neste sonho e todos querem ir para o norte, mas nem sempre o norte tem respostas para oferecer, nem possibilidades. Muitos sofrem depois problemas de tráfico humano relacionados com a migração”.

“Por que não procuramos a ajuda dos Estados ou investimentos de empresas ricas e multinacionais, para mudar as situações em países como os que agora vimos nesta viagem?”, questionou ainda.

Bênção casais gay na Alemanha. Santa Sé “não concorda”

Antes de chegar a Roma, o Papa teve ainda oportunidade de ser questionado sobre questões internas da Igreja Católica. Esta semana, o cardeal Marx, arcebispo de Munique, autorizou, na sua arquidiocese, a bênção de casais homossexuais.

“A Santa Sé já falou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formal dos casais, neste caso, casais homossexuais, como perguntou, ou casais em situações irregulares, para além do que foi especificamente permitido”, esclareceu.

Já sobre a possibilidade de esta divergência pode ou não afetar a coesão da Igreja, Leão XIV pediu para que as questões relacionadas com a unidade dos católicos “não girem em torno de temas sexuais”.

“Tendemos a pensar que, quando a Igreja fala de moralidade, a única questão moral em causa é a sexual. Mas, na realidade, creio que existem questões muito maiores e mais importantes, como a justiça, a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres, a liberdade religiosa, que teriam prioridade sobre esta questão específica”.

Ouvir
  • Noticiário das 0h
  • 10 jun, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque