Sínodo. Escolha de novos bispos deve incluir também "escuta ativa" dos leigos
05 mai, 2026 - 12:06 • Redação com Ecclesia
Recomendação é feita pelo Grupo de Estudo criado para analisar critérios de seleção dos candidatos ao episcopado. Noutro relatório, divulgado também esta terça-feira pela Secretaria-Geral do Sínodo, propõem-se novos caminhos de discernimento para a integração de pessoas homossexuais na Igreja Católica. Documento destaca testemunho de um leigo português.
A Secretaria-Geral do Sínodo publicou hoje a primeira parte do relatório sobre os critérios de seleção de candidatos ao episcopado, exigindo que o processo seja um “momento de autêntico discernimento eclesial” e promova a escuta ativa da comunidade.
O documento, da autoria do Grupo de Estudo n.º 7, que trata desta temátoica, propõe o alargamento da consulta aos leigos e consagrados e defende que o perfil do bispo exige, no atual contexto, “competências sinodais”.
O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, assinalou a importância destas conclusões na governação da Igreja.
“A escolha de um bispo é um momento de autêntico discernimento da comunidade cristã: não existe pastor sem rebanho, nem rebanho sem pastor. O segundo nos oferece instrumentos concretos para enfrentar as questões mais difíceis sem fugir da complexidade: ouvir as pessoas envolvidas, ler a realidade, reunir os conhecimentos. É o método sinodal aplicado às situações mais exigentes”, refere, em nota enviada aos jornalistas.
O novo relatório recomenda que a escolha de um bispo envolva a Igreja local, para além dos bispos da região e do núncio apostólico, que, segundo o documento, também “deve ele próprio possuir um perfil sinodal e missionário”.
O texto estabelece que, perto do momento da sucessão episcopal, as dioceses ativem procedimentos internos de consulta. O bispo cessante tem o dever de convocar “o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral Diocesano”, pedindo aos seus membros que transmitam, “em envelope fechado, os nomes dos presbíteros que consideram aptos para o episcopado”. A inovação proposta passa por alargar esta auscultação, “sempre que possível”, a outros órgãos locais.
Entre as qualidades que um futuro bispo deve demonstrar, o grupo de trabalho sublinha a “capacidade de construir comunhão, exercício do diálogo, conhecimento profundo das culturas locais e disponibilidade para se integrar nelas de forma construtiva”.
O relatório aborda, ainda, a responsabilidade dos dicastérios do Vaticano, exigindo que a Cúria Romana reveja “os seus próprios procedimentos no sentido de torná-los mais sinodais”. Propõe, ainda, “formas periódicas de avaliação independente dos processos de seleção”, para garantir a transparência das nomeações episcopais.
Os grupos de estudo setoriais foram instituídos pelo Papa Francisco, no início de 2024, no período que mediou as duas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Sindalidade.
A decisão confiou a peritos de todos os continentes uma série de questões com implicações teológicas, pastorais e jurídicas complexas, para um maior aprofundamento.
Leão XIV determinou que estes relatórios finais sejam tornados públicos de forma progressiva, numa iniciativa que se iniciou a 3 de março.
Homossexualidade e Não-violência
A Secretaria-Geral do Sínodo publicou também, esta terça-feira, um relatório do Grupo de Estudo nº 9 que propõe novos caminhos de discernimento para a integração de pessoas homossexuais na Igreja Católica, destacando o testemunho de um leigo português.
O documento reconhece o sofrimento provocado pela tensão entre a “firmeza doutrinal” e o “acolhimento pastoral”, sugerindo uma mudança de paradigma que deixe de tratar esta realidade como uma questão “controversa” para a assumir como um tema “emergente”.
“Estas posições polarizadas, muitas vezes consideradas inconciliáveis, resultam, por um lado, em profundo sofrimento, feridas pessoais e experiências de marginalização ou ‘vidas duplas’ para crentes com atração pelo mesmo sexo; por outro lado, no seio da vida da Igreja, desencadeiam conflitos, oposições”, advertem os especialistas.
Para ilustrar este desafio, o Vaticano anexou o relato pessoal de um católico de Portugal, que descreve a angústia sentida durante a descoberta da sua sexualidade e a pressão imposta pelo secretismo.
“No meio do cadinho deste isolamento, comecei a sentir o chamamento feroz e amoroso de Cristo à minha integridade e plenitude”, relata o autor do testemunho.
O português denuncia os “efeitos devastadores” das terapias de conversão e a inadequação de certos acompanhamentos espirituais, recordando o momento em que lhe sugeriram o sacramento do matrimónio com uma mulher para “encontrar a paz”.
O relatório aplica a mesma matriz de discernimento ético-teológico à experiência da não-violência ativa, dando o exemplo de um movimento de resistência pacífica de jovens na Sérvia.
O Grupo de Estudo nº 9 propõe uma mudança na maneira como a Igreja aborda as questões doutrinárias, pastorais e éticas mais difíceis, introduzindo o “princípio da pastoralidade”.
- Noticiário das 9h
- 10 mai, 2026








