Peregrinação de Maio
D. Rui Valério pede em Fátima que não se ignore o mundo ferido pela guerra e pela solidão
12 mai, 2026 - 23:40 • Ana Catarina André
Diante de 250 mil peregrinos, o patriarca de Lisboa lembrou que “não basta acender uma vela”. “É preciso tornar-se luz”, disse aos fiéis, a quem recordou que a transformação começa em "gestos simples do quotidiano" de perdão, proximidade e escuta.
Foi uma noite de luz. Milhares de peregrinos encheram o Santuário de Fátima, na peregrinação internacional aniversária de maio que assinala a primeira aparição de Nossa Senhora aos pastorinhos. Na homilia, o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que preside às celebrações desde ano, sublinhou que não se pode “ignorar a realidade”.
“O nosso mundo está ferido”, constatou. “Ferido pela guerra, onde irmãos se enfrentam e a vida humana é esmagada; pela violência, que tantas vezes se infiltra nas relações e nas palavras; pela divisão, que fragmenta povos, famílias e comunidades; pela solidão, que atinge tantos, mesmo no meio das multidões”.
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Aos fiéis, D. Rui Valério lembrou que “o mundo ferido precisa de luz interior”. “É no coração de cada homem e cada mulher que começa a verdadeira mudança no mundo”, disse, acrescentando que “não haverá paz na terra sem paz no coração”.
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Para o patriarca, “esta noite” em Fátima, coloca quem ali está “diante de uma responsabilidade”. “Não basta acender uma vela. Não basta receber luz”, disse. “É preciso tornar-se luz”, frisou, explicando, depois, que se trata de “deixar que a luz de Cristo transforme a nossa vida e, através de nós, ilumine os outros”.
“Isto começa nos gestos simples do quotidiano: no perdão oferecido quando seria mais fácil guardar rancor; na reconciliação procurada quando a divisão parece definitiva; na proximidade a quem está só; na caridade que toca a vida do outro”, enumerou, lembrando que “a santidade não é algo distante”, mas a “luz vivida todos os dias”, “a fidelidade no pequeno, no quotidiano”.
D. Rui Valério, que na conferência de imprensa desta tarde de terça-feira falou da sua proximidade a Fátima, lembrou que Nossa Senhora é um “sinal de esperança”. “Aqui em Fátima, ela continua a dizer-nos: não desanimeis. Não vos fecheis”, disse, referindo que a sua luz “ensina a acreditar que Deus não abandona o seu povo”.
De acordo com o Santuário de Fátima, participaram nas celebração 250 mil peregrinos.
A peregrinação internacional aniversária de maio, uma das que reúne mais peregrinos na Cova da Iria, assinala a primeira aparição da Virgem Maria aos pastorinhos, Francisco, Jacinta e Lúcia. Nesta aparição, a 13 de maio de 1917, Nossa Senhora pediu às três crianças que se deslocassem à Cova da Iria todos os dias 13 seguintes, e que rezassem o Terço diariamente, pelo fim da guerra.
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