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Terrorismo Cabo Delgado

Bispos de Moçambique lembram ao Governo "dever de garantir a segurança"

14 mai, 2026 - 16:47 • Henrique Cunha

Conferência Episcopal de Moçambique manifesta “profunda solidariedade à Diocese de Pemba e a todos os cristãos que continuam a sofrer as consequências da violência” terrorista em Cabo Delgado. Bispos exigem ação ao Governo e dizem que o “futuro de Moçambique não pode ser construído sobre violência”.

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Os bispos católicos de Moçambique manifestam o seu “repúdio aos ataques contra as comunidades cristãs” e exprimem a sua solidariedade para com “a província de Cabo Delgado”.

Numa nota pastoral de 10 pontos, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) começa por se dirigir “aos seus pastores, religiosos, religiosas, agentes de pastoral e a todos os fiéis cristãos que continuam a sofrer as dolorosas consequências da violência e dos ataques dirigidos contra pessoas, comunidades e lugares de culto”.

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Os bispos condenam “com veemência todas as formas de extremismo violento e de manipulação das populações, especialmente dos jovens, adolescentes e crianças — em nome de interesses religiosos, económicos, ambições de poder e exploração das riquezas naturais”.

“Nenhuma convicção religiosa, nem riqueza da terra vale mais do que a vida humana. Nenhum destes interesses pode justificar os deslocamentos de pessoas, as lágrimas, a morte de inocentes e a destruição de comunidades e a profanação de espaços sagrados”, afirmam.

A CEM diz que “a instrumentalização da religião para justificar a violência contradiz os valores da fé cristã, islâmica e das religiões tradicionais africanas, que sempre procuraram promover o respeito pela vida, pela hospitalidade e pela fraternidade”, e garantem que “quem destrói uma igreja ou outro lugar de culto ataca inocentes e não serve a Deus, pelo contrário, fere gravemente a humanidade”.

A Igreja moçambicana pede que se evitem “todos os atos de intolerância que possam alimentar suspeitas mútuas entre comunidades religiosas que ao longo da história de Moçambique aprenderam a conviver juntas, a dialogar e a partilhar o mesmo destino nacional”.

Os bispos pedem “coragem e esperança aos cristãos da Diocese de Pemba” e exortam-nos a que não desanimem porque a sua “perseverança na fé, no meio de tanto sofrimento, é um testemunho vivo do Evangelho e um sinal luminoso para toda a Igreja em Moçambique”.

A nota assinada pelo presidente da CEM, D. Inácio Saure, lembra que “é dever fundamental do Governo garantir a dignidade humana, a segurança e o bem-estar de todos” e propõe que “as autoridades competentes do país tomem uma decisão corajosa para pôr o fim imediato à intolerância religiosa, que hoje se manifesta sob a forma de ódio contra os cristãos, o que abre a possibilidade de criar um precedente para o advento de outras formas perigosas de radicalismo”.

Os bispos terminam com um apelo à “promoção da paz, do diálogo, da justiça social e da reconciliação nacional”, porque o “futuro de Moçambique não pode ser construído sobre violência”.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta desde 2017, uma série de ataques terroristas. Um dos últimos sucedeu na paróquia católica de São Luis de Monfort, cuja Igreja foi completamente destruída.

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