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Médio Oriente

Médico da Cáritas alerta para crise sanitária em Gaza provocada por infestação de ratos

15 mai, 2026 - 16:01 • Olímpia Mairos

Mais de 70 mil casos de infeções associados a roedores foram registados desde o início de 2026, segundo a OMS.

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A Caritas Jerusalém denunciou o agravamento da crise sanitária na Faixa de Gaza devido a uma infestação massiva de roedores que está a provocar milhares de infeções entre a população deslocada, num território já devastado pela guerra, pela destruição de infraestruturas e pelo colapso do sistema de saúde.

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Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), citados por um médico da Cáritas que trabalha no terreno e pediu anonimato por razões de segurança, “mais de 70 mil casos de infeções ligadas a roedores e parasitas externos” foram registados em Gaza desde o início de 2026.

O profissional de saúde descreve um cenário alarmante, marcado por famílias a viverem entre escombros, lixo acumulado e esgotos a céu aberto, enquanto ratos circulam livremente pelas ruas e campos de deslocados.

As famílias e as crianças têm demasiado medo de dormir à noite por receio de serem mordidas por ratos”, afirmou o médico, acrescentando que os animais “roem as tendas e contaminam os alimentos”.

O primeiro caso que o marcou ocorreu há cerca de 45 dias, quando o irmão de um colega foi mordido por um rato enquanto dormia num edifício parcialmente destruído. “Vive rodeado por montes de escombros e resíduos sólidos”, relatou.

O médico explicou que os hospitais continuam a receber diariamente vítimas de mordeduras. “Cerca de dez pessoas mordidas recorrem todas as noites ao serviço de urgência”.

Falta de vacinas, reagentes e equipamentos

A situação é agravada pela escassez severa de medicamentos e meios de diagnóstico. Segundo o responsável, existe “uma falta de 50% nos consumíveis e nos medicamentos essenciais”, incluindo antibióticos.

Não existe soro antirrábico nem vacina contra a raiva em Gaza”, alertou, sublinhando ainda a ausência de equipamentos PCR e de kits laboratoriais capazes de confirmar doenças transmitidas por roedores, como leptospirose, hantavírus ou infeções rickettsiais.

“Os médicos dependem sobretudo da observação clínica e da sua experiência”, afirmou.

Apesar de conseguirem tratar mordeduras simples com limpeza, antibióticos e vacinação antitetânica, os profissionais de saúde admitem dificuldades crescentes em responder a infeções mais graves num sistema hospitalar exausto pela guerra.

“Nada disto é opcional”

O médico da Cáritas defende medidas urgentes de saneamento ambiental, incluindo remoção de escombros, reparação dos sistemas de esgoto, acesso a água potável e combate sistemático aos roedores através de armadilhas e pesticidas.

Nada disto é opcional; são as bases de um sistema de saúde funcional, sem o qual as mortes evitáveis continuarão”, declarou.

Além da reconstrução das infraestruturas de saúde, o profissional pede um “cessar-fogo rigoroso” e uma aposta na recuperação da educação e da juventude de Gaza.

Eles são o futuro e merecem ter um futuro”, concluiu.

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