Evento de Oração nos EUA
Nove horas a rezar na Casa Branca: "Uma estratégia de branqueamento das atitudes de Trump"
17 mai, 2026 - 08:20 • Henrique Cunha
Casa Branca acolhe festival de nove horas de oração centrado nas raízes cristãs dos Estados Unidos. Sílvia Mangerona, especialista em relações internacionais da Universidade Católica considera a iniciativa uma tentativa de branquear atitudes de Trump contra o Papa e o Vaticano.
A Casa Branca acolhe este domingo um festival de oração de nove horas centrada nas raízes cristãs dos Estados Unidos (EUA).
É uma organização da Administração Trump no National Mall, que pretende refletir as origens cristãs do país. Os organizadores esperam, desencadear “um movimento de renovação” na América.
Para Sílvia Mangerona, especialista em relações internacionais da Universidade Católica trata-se de "uma estratégia de branqueamento; uma tentativa de aproximação do mundo católico” da administração Trump.
A iniciativa vai contar com a participação de várias figuras de destaque da administração do Presidente dos Estados Unidos, entre as quais o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, bem como o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, e diversos líderes evangélicos.
Em declarações à Renascença, Sílvia Mangerona olha para o evento como sendo “uma estratégia da administração norte americana para branquear as últimas atitudes de Trump”:
“Na minha opinião é uma tentativa, uma estratégia de branqueamento de um quiproquó com a Igreja Católica, com o Vaticano, que se iniciou em Abril e, portanto, vejo isto como uma estratégia da administração Trump uma tentativa de aproximação do mundo católico, de forma a tornar bem visível para o mundo, uma espécie de espetáculo que é montado para ter essa visibilidade e para haver aqui uma espécie de estratégia de branquear as últimas atitudes de Trump”, sublinha.
Para a politóloga e especialista em Ciência Política e Relações Internacionais esta iniciativa que é “uma instrumentalização da religião” revela “alguma falta de conhecimento sobre a natureza da religião”, e prova que a administração Trump se encontra desorientada
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“Eu penso que, de facto, a sua administração revela exatamente isso e as últimas opções geoestratégicas no mundo têm revelado essa desorientação, essa falta de pragmatismo, de liderança, de caminho claro, daquilo que quer para o futuro”, afirma a professora universitária.
“E penso que relativamente também à religião há aqui, diria, alguma até falta de conhecimento sobre a natureza da religião, aquilo que ela se pode colocar ao serviço da política e não esta instrumentalização que acaba por ser negativa para a administração Trump”, acrescenta.
Oração pela paz é louvável
Por sua vez, o Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, Pedro Vaz Patto, considera que se o evento “for uma oração pela paz é louvável”. Contudo, o responsável lembra que o momento pode ser “um contratestemunho”, caso estejamos perante “a instrumentalização do nome de Deus”.
Vaz Patto cita mesmo o Papa Leão que na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz classificou de “blasfémia” a utilização indevida do nome de Deus:
O Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz diz que “não é honesto” e merecem “repudio da parte dos cristãos”, todas as tentativas de uso indevido do nome de Deus.
“Sim, isso não é honesto, por um lado é uma forma de enganar as pessoas, mas sobretudo também é uma forma de desrespeitar Deus e para os cristãos, os Seus mandamentos, como o não matarás, e o amor ao inimigo. É subverter isso e não pode deixar de merecer repúdio da parte dos cristãos e também de outras pessoas”, conclui.
Este Domingo, a Casa Branca promove em Washington, um evento de oração com duração de nove horas, centrado na valorização das origens cristãs dos Estados Unidos.
O evento decorrerá no National Mall, o grande parque da capital norte-americana, vai contar com a participação de várias figuras de destaque da administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre as quais o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário da Defesa, Pete Hegseth, bem como o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, e diversos líderes evangélicos.
De acordo com o diário de Washington, Trump não estará presente, mas o Presidente norte-americano deverá enviar uma mensagem gravada para ser transmitida em ecrãs gigantes.
A reverenda Paula White-Cain, principal conselheira religiosa da Casa Branca, afirmou que o evento "tem a ver com a história e os fundamentos" dos Estados Unidos, país construído "sobre valores cristãos e sobre a Bíblia".
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