"Mulheres do Idai". Exposição fotográfica para ajudar Moçambique
21 mai, 2026 - 15:16 • Ângela Roque
Inês Leitão decidiu pôr à venda fotos que tirou quando, em 2019, foi com a Cáritas a Moçambique, filmar a devastação deixada pelo ciclone tropical. "É mesmo importante que não passemos pelas coisas só por passar", diz à Renascença a produtora, que escolheu inaugurar a exposição no Dia Mundial da Diversidade Cultural e do Diálogo.
Mulheres do Idai', é o título da exposição fotográfica de Inês Leitão que, a partir desta quinta-feira, pode ser vista no Seixal, na AAGA – Associação de Apoio à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
A produtora, que em 2019 foi a Moçambique com a Cáritas filmar a devastação que o ciclone tropical ali deixou, também tirou fotos, que agora partilha com um fim solidário. Inaugurada neste Dia Mundial da Diversidade Cultural e do Diálogo, a exposição é uma homenagem à luta das moçambicanas para garantirem a sobrevivência.
"As mulheres foram essa força guerreira e brava que providenciou a reconstrução depois do Idai. Eu quis fotografar as que fossem passando por mim, porque eram a cara dessa reconstrução que estava a ser feita com a Cáritas e, no seu dia-a-dia, a vida delas não parou, tinham os filhos para prover, uma machamba [horta] para pôr em pé. Quem eram estas mulheres? Eu fui fotografando e acabei por ficar com imensas fotografias guardadas no computador", conta à Renascença.
Inês fala de Moçambique como o seu "segundo país de coração", lembrando que o pisou pela primeira vez com as irmãs hospitaleiras. Quando voltou há sete anos, o cenário era desolador. Entre as fotos descobriu uma que não é de uma mulher. "É de um menino que está a dormir numa praia na Beira. É muito impactante, porque este menino está a dormir agarrado a um pau porque tem medo que a água venha. A expressão 'a água vir' foi aquilo que o ciclone deixou, o receio que a água voltasse a qualquer instante. Essa fotografia já a ofereci a mais do que um amigo, porque ela mostra exatamente aquilo que aconteceu em Moçambique. É mesmo muito importante para mim", explica.
Para Inês Leitão, não fazia sentido ter as fotos guardadas quando podem ajudar a angariar receitas para a Cáritas do Chimoio, que continua a precisar de ajuda. "Achei que devia fazer alguma coisa com isto, porque ainda há casas para pôr em pé, ainda há famílias que é preciso apoiar. Aquilo não está como no início, mas deixou de se falar da importância de ajudar. Por isso, decidi fazer esta exposição com o apoio da AAGA, uma Associação de Apoio às Comunidades dos Países de Língua Oficial Portuguesa, que faz imensa coisa aqui no Seixal", descreve.
A exposição tem, assim, um "objetivo solidário". "Eu acho que é mesmo importante que não passemos pelas coisas só por passar. E Moçambique, e aquilo que aconteceu à Beira, ficou esquecido por todos nós. Obviamente que há outras situações a que é importante responder, aconteceram outras coisas depois destes sete anos, mas eles ainda precisam de nós. Portanto, esta exposição ainda faz sentido", sublinha.
São, ao todo, 10 fotos, com os rostos e as histórias das 'Mulheres do Idaí', e podem ser adquiridas a 25 euros cada. O lucro da venda será entregue à Cáritas Moçambique.
A exposição é inaugurada esta quinta-feira, às 19h00, e pode ser vista pelo menos até 15 de junho, no Seixal.
- Noticiário das 23h
- 20 jul, 2026







