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Burnout. “Até aos bispos pode acontecer”, diz presidente da CEP

26 mai, 2026 - 08:50 • Ângela Roque , Henrique Cunha

Em entrevista à Renascença, D. Virgílio Antunes não esconde que esta é uma realidade que o preocupa, não fecha a porta a um estudo abrangente sobre o bem estar dos padres e fala de algumas medidas já tomadas.

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O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Virgílio Antunes, não fecha a porta a um estudo sobre a realidade do burnout entre o clero em Portugal. Está aberto a essa possibilidade? "Completamente", garante em entrevista à Renascença, não escondendo que esta é uma realidade que o preocupa.

"Temos ouvido notícias de suicídios de sacerdotes em várias partes do mundo, outros ficam em condições quase de impossibilidade de continuar a trabalhar", refere, admitindo que este é cada vez mais "um problema que tem que se olhar, evidentemente" também em Portugal.

Como presidente da CEP garante que esta será uma "prioridade", e admite que o problema também afeta o clero na sua diocese, Coimbra. "Claro, (como) em toda a parte. Não significa que sejam casos extremos. Mas, até aos bispos pode acontecer uma coisa dessas! Porque, de facto, as expectativas que o povo de Deus/Igreja, e que a sociedade, têm em relação aos padres, facilmente pode levar a problemas desta ordem. Não há ninguém que consiga corresponder a todas as expectativas que põem sobre os seus ombros”.

D. Virgílio está consciente do acréscimo de tarefas que hoje têm de desempenhar, quando são cada vez menos. Houve um "alargamento do âmbito da ação dos sacerdotes, no que diz respeito ao número de paróquias, movimentos, ação social, que é uma carga e um peso muito grande na vida de muitos". Fala também da pressão a que estão sujeitos para corresponder às "expectativas", tanto dos fiéis como da sociedade em geral, que "facilmente podem levar a problemas desta ordem", porque "não há ninguém que consiga corresponder a todas as expectativas que põem sobre os seus ombros".

Na diocese de Coimbra já se tomaram algumas medidas para mitigar o excesso de trabalho dos padres. Uma delas é a reorganização territorial das paróquias. "Depende de cada diocese. Devo dizer que em algumas, como é o caso da diocese de Coimbra, essa reorganização já está feita, são as chamadas Unidades Pastorais - nós, de 271 paróquias, constituímos 36 Unidades Pastorais".

Ali, cada Unidade Pastoral tem vários elementos. "Além de um ou dois sacerdotes, alguns diáconos permanentes - que é uma realidade muito importante na vida da Igreja de hoje – e uma equipa de animação pastoral, com seis, sete, 11 ou 12 pessoas, que muito frequentemente se reúnem com o sacerdote e assumem com ele a condução da Unidade, para que não seja o sacerdote, com as suas decisões solitárias, a arcar com as dificuldades sozinho", explica.

Mas já avançaram com outras medidas. "Temos já muitos casos em que os centros sociais paroquiais, por exemplo - que são uma carga muito grande sobre os ombros dos párocos, na condição de presidentes – já têm vice-presidentes executivos com funções delegadas. E também temos o caso de leigos que são presidentes dos centros sociais paroquiais, para libertar o sacerdote de algumas destas pressões".

"São caminhos que se estão já a realizar, já estão no terreno, assim como o funcionamento dos conselhos pastorais, seja da diocese, seja, no nosso caso, das Unidades Pastorais, ou das paróquias, das assembleias paroquiais”, exemplifica, lembrando que estas são soluções recomendadas “pelo documento final do Sínodo. Não é de um dia para o outro, evidentemente, mas estão a ganhar corpo", assegura.

O estudo abrangente sobre o bem estar e a saúde mental dos sacerdotes é defendido por vários dos intervenientes ouvidos pela reportagem alargada que a Renascença publica esta terça-feira, dedicada à realidade do burnout e como está a afetar muitos padres.

A reação de D. Virgílio Antunes foi recolhida durante a entrevista alargada que concedeu à Renascença, por ocasião do primeiro mês da sua eleição como presidente da CEP. A conversa, que aborda vários temas da atualidade e da vida da Igreja, será publicada na íntegra na quarta-feira, 27de maio.

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