“Não aguentamos mais”: Igreja Católica descreve cenário dramático e fome crescente em Cuba
27 mai, 2026 - 11:29 • Olímpia Mairos
Bispo cubano descreve um país mergulhado na pobreza, no medo e na desesperança, com pessoas a desmaiar nas missas por falta de comida.
O presidente da Conferência Episcopal Cubana afirmou que Cuba atravessa atualmente “o momento mais difícil e mais triste” da sua história recente, denunciando a degradação das condições de vida da população, a escassez extrema de bens essenciais e um clima crescente de medo e desespero social.
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Em entrevista à Fundação AIS Internacional, D. Arturo González Amador, bispo de Santa Clara, descreveu um cenário dramático no país. “Cuba sofre”, afirmou o prelado, acrescentando que “tudo é uma luta pela sobrevivência” e que o presente é marcado pela insegurança e por um futuro “totalmente incerto”.
Segundo o responsável católico, os mais afectados pela crise são os pobres, os idosos que vivem sozinhos, os reformados e as mães solteiras. Nas paróquias, explicou, multiplicam-se os sinais de desespero.
“Há pessoas que chegam a dizer que estão sem comer durante dias e que não sabem a quem recorrer”, afirmou D. Arturo González Amador.
O bispo relatou ainda situações em que fiéis desmaiam durante as celebrações religiosas devido à falta de alimentação. A crise energética agrava o cenário, dificultando até a conservação de alimentos.
Hospitais sem condições e população dominada pelo medo
A situação sanitária é igualmente alarmante. D. Arturo González Amador revelou que alguns hospitais deixaram de realizar operações por falta de água e de materiais cirúrgicos, obrigando muitas famílias a procurar ajuda junto de familiares emigrados para conseguirem adquirir equipamentos básicos.
Além das dificuldades económicas, o presidente da Conferência Episcopal Cubana alertou para um ambiente de forte ansiedade social, alimentado também pelo receio de um eventual conflito com os Estados Unidos.
“O medo da guerra é tremendo; faz parte da preocupação quotidiana de muitas pessoas”, disse o bispo.
O responsável católico sublinhou ainda o impacto da emigração em massa, referindo que muitos cubanos abandonam o país sempre que têm oportunidade, deixando para trás uma população cada vez mais envelhecida e vulnerável.
Aumento da violência e dificuldades na prática religiosa
Outro dos problemas destacados por D. Arturo González Amador foi o aumento da criminalidade e da insegurança nas ruas. “Tem havido assaltos a muitas casas”, afirmou, explicando que a falta de segurança, associada aos constantes cortes de electricidade, afecta também a vida religiosa.
Em algumas regiões, explicou, há apenas cerca de três horas de electricidade por dia, o que obrigou comunidades católicas a celebrar a Vigília Pascal durante o dia devido aos riscos de circular à noite.
Apesar das dificuldades, sacerdotes, religiosas e leigos continuam a apoiar os mais necessitados através de pequenas cantinas sociais e distribuição de refeições ao domicílio.
“A tarefa da Igreja é manter vivo o espírito, dar esperança onde não a há, ouvir e acompanhar as pessoas”, sublinhou o bispo.
“Não se esqueçam de Cuba”
O presidente da Conferência Episcopal Cubana reconheceu também que a própria Igreja enfrenta sérias limitações devido ao aumento dos preços e à falta de combustível, o que reduz drasticamente a actividade pastoral, sobretudo nas zonas rurais.
Ainda assim, destacou a solidariedade vivida dentro das comunidades cristãs e deixou um apelo à comunidade internacional.
“Não se pode resolver tudo, mas qualquer ajuda conta. O povo de Cuba sofre e a Igreja faz parte desse povo”, concluiu D. Arturo González Amador.
- Noticiário das 16h
- 20 jul, 2026





