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Equipas Jovens de Nossa Senhora

"Um movimento de passagem, mas para sempre"

27 mai, 2026 - 11:16 • Henrique Cunha

As Equipas Jovens de Nossa Senhora (EJNS) assinalam 50 anos de atividade, em Santarém.

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As Equipas Jovens de Nossa Senhora (EJNS) assinalam a 31 de maio os 50 anos do movimento, com uma iniciativa marcada para Santarém.

Maria Inês Serrazina, antiga responsável da espiritualidade das Equipas de Jovens de Nossa Senhora (EJNS), explica em à Renascença as especificidades do movimento que acompanha jovens numa fase "onde o nosso carácter acaba por ser formado".

"O que dizem os estatutos é que as Equipas são formadas por jovens entre os 16 e os 25", acrescenta.

O local das celebrações é a Quinta da Melhorada, em Santarém e vão decorrer entre as 12h00 e as 19h00, incluindo a celebração da eucaristia, que será presidida pelo cardeal D. José Tolentino de Mendonça, antigo padre assistente das EJNS. A celebração será concelebrada pelo bispo da diocese de Santarém, D. José Traquina, e pelos atuais e antigos padres assistentes.




Como é que surgiram as equipas de Jovens de Nossa Senhora em Portugal?

As equipas surgiram em Portugal há 50 anos, fruto de um desenvolvimento do movimento das equipas Nossa Senhora, das equipas de casais. Tinha nascido em França com os filhos de algumas equipas de casais, que tinham essa vontade de replicar nas suas idades aquilo que viam os pais ter e fazer, e aquele crescimento de fé acompanhada que viam em casa, e chegaram a Portugal um bocadinho com uma decorrência deste nascimento lá fora. Foram acompanhadas inicialmente muito pelo Padre João Seabra, que percebeu que já tendo cá também as equipas de casais, como acontecia nos outros países, havia uma necessidade, ou havia aqui um espaço em aberto a ser preenchido por este movimento que traz para os jovens aquilo que se vê os casais fazer, mas adaptado à sua realidade, de uma forma mais próxima, mais de passagem também, naturalmente pela idade em que as pessoas começam as suas equipas e depois também as acabam, e com o correr da vida e com o desenvolver das suas vocações.

As equipas são formadas sobretudo por jovens que devem respeitar umas determinadas idades, não é assim?

Sim. As equipas começam normalmente aos 16 anos. O que dizem os estatutos é que são formadas por jovens entre os 16 e os 25. E por isso mesmo dizemos também que é um movimento de passagem, porque acompanha aqui esta fase da juventude; são formadas por jovens divididos em equipas, por volta de 12, 14 jovens quando começam, depois ao longo dos anos naturalmente alguns vão saindo, outros vão entrando, o que já não é tão normal. Os Jovens são sempre acompanhados por um casal, que é o que faz aqui esta ligação às equipas de casais de onde vêm, mas também o que nos permite ter uma visão de uma passagem, mas que é uma passagem para sempre, porque aquilo que se ganha nestes anos depois fica connosco ao longo da vida, e em alguns setores tenta-se ainda que todas as equipas sejam acompanhadas por um padre, que é uma coisa que continua a acontecer, especialmente nos setores mais pequenos, que noutros sítios como Lisboa e Porto, onde o número de equipas já é muito, muito elevado, já não é possível, mas sim, sempre 12 a 14 jovens e um casal.

Depois dos 25, o que é que acontece?

Depois dos 25 acontece que ficam coisas ótimas, que nos dão muitas ferramentas para a vida, que nos dão amigos para a vida, que nos dão uma forma de estar diferente. Continuamos perto, continuamos a acompanhar o que se vai passando, mas a maior parte das vezes já sem equipa. O que acontece é que, naturalmente, entre pessoas que vão viver para fora, a maior parte das pessoas que começam a casar, as equipas acabam por desaparecer.

Quais são as principais atividades que realizam?

Nós costumamos dizer que as equipas, apesar de só reunirem uma vez por mês, conseguem dar-nos um mês completo de acompanhamento espiritual, porque todos os meses, em todos os setores, ou praticamente em todos, sendo este o modelo básico, com algumas derivações, temos uma reunião de equipa, que é feita nestas células pequeninas, e depois temos as atividades do setor, que passam normalmente por uma noite de oração, em que há a exposição do Santíssimo, há alguma oração acompanhada, cânticos, há um terço. As noites de oração, os terços e as reuniões de equipa são, assim, as três coisas grandes.

Depois, ao longo do ano, há sempre dois encontros de todo o movimento a nível nacional, tendo um deles o encontro nacional, que é sempre feito em Fátima, e que nos últimos anos tem reunido já perto de mil equipistas, e depois, entre setembro e dezembro, costuma-se fazer um encontro de formação, que inicialmente até era mais virado para os pilotos, que são duas figuras da equipa base que já têm uma equipa anteriormente, que vêm, no fundo, mostrar à nova equipa como é que tudo funciona. É um encontro inicialmente pensado especialmente para estas figuras, para a formação, porque acabam também por ser umas figuras que têm um peso considerável na formação das novas equipas e dos novos equipistas, e que, nos últimos anos, já se abriu a toda a gente. É um encontro mais virado para um tema específico, em que há formação doutrinal, e onde são sempre bons momentos de convívio e onde fica aquilo que eu dizia de, depois dos 25, não há equipas, mas há coisas boas que se levam das equipas e, isso sim, fica para sempre.


Quais são as vossas maiores preocupações e, já agora, de que forma as vossas atividades influenciam o vosso dia-a-dia?

Então, começando pelo fim, as atividades acabam por influenciar muito o nosso dia-a-dia, por não nos deixarem esquecer que este caminho de fé é um caminho acompanhado, porque por mais que eu esteja a semana toda a esquecer-me de que é preciso parar, que é preciso rezar, que é preciso estar, ao fim dessa semana há alguma coisa que me vai lembrar. Se eu a quiser, não é na minha maior liberdade, porque, apesar da reunião de equipa ser a coisa que se exige mais ou com que há um compromisso maior, tudo o resto é uma coisa que sabemos que vai ser boa para o nosso crescimento e que é fortemente aconselhada que também se vá.

É nestas atividades que nós fazemos este caminho acompanhado e as equipas vêm tentar preencher esse espaço da necessidade de um caminho de fé acompanhado, porque se fosse para fazermos sozinhas não precisávamos de nada disso.

E eu diria que as preocupações talvez sejam o crescimento sustentável, porque queremos continuar a chegar cada vez a mais gente, já somos mesmo muitos, já somos perto de 4 mil equipistas no país, mas é preciso continuar a acompanhar bem e não a acompanhar só por acompanhar. Especialmente esta nossa necessidade de ter sempre as equipas acompanhadas por um casal, às vezes é a maior dificuldade, porque se nós pensarmos numericamente, apesar de serem vezes dois as pessoas que estão implicadas, são dois que estão alocados ao mesmo sítio, portanto já vão dividir a disponibilidade que se tem. Mas talvez a maior preocupação seja essa, sim.

O que é que vos diferencia dos outros movimentos?

Aquilo que falava de ser um movimento que é ao mesmo tempo de passagem, mas para sempre. Tenho ideia, e todos temos, que as equipas nos dão muitas ferramentas durante estes anos; dão-nos muitos amigos que nos acompanharão o resto da vida, e mais do que isso trazem-nos uma riqueza enorme, porque por ser um movimento que começa aos 16 anos, muita gente já vem de outros movimentos, de paróquias, de localidades diferentes na igreja, e chega já com uma ótima bagagem para trazer mais àqueles com quem se vai cruzar ali. E o mesmo acontece depois, muitos voltam a estes movimentos, às suas paróquias, a estas células-base prévias às equipas, mas muitos também descobrem sítios novos através de outras pessoas.

Portanto, eu acho que o que nos mais diferencia é acompanharmos aqui uma faixa etária, que vou dizer crítica, sem qualquer sentido pejorativo, mas uma faixa etária decisiva na vida, onde o nosso carácter acaba por ser formado de uma forma em que uma coisa, se olharmos num conjunto de final de vida, talvez em 80, 90 anos de vida, estes 10 anos, 12 anos que aqui passamos, é muito pouco percentualmente, mas são 10 anos que nos marcam muito para o resto do nosso caminho.

Falámos a propósito da celebração dos 50 anos das equipas de jovens de Nossa Senhora em Portugal. Como é que vai ser este dia 31 de maio?

Este dia 31 de maio vai ser, acima de tudo, um dia de muita ação de graças, por tudo o que tem acontecido nestes 50 anos, pelos milhares de pessoas que já por aqui passaram, e vamos fazer um almoço, uma missa, algumas atividades pelo meio para dinamizar este espírito equipista, que lá está, que já passou para muitos, mas que continua presente de alguma forma. É um dia também para relembrarmos tantas coisas boas, para estarmos próximos de Nosso Senhor e da Mãe do Céu, e para lhes agradecermos estas coisas que não são nossas, para agradecermos também o trabalho de tantos que aqui foi sendo feito, mas que nunca foi sendo feito pelas nossas mãos. Portanto, é certamente um dia de ação de graças e de revermos as coisas boas que nos foram dadas neste movimento.

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