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Caldas da Rainha

Crise na família é “uma das grandes feridas da sociedade contemporânea”, diz patriarca de Lisboa

30 mai, 2026 - 21:07 • Ana Catarina André

Perante a diminuição do número de casamentos, D. Rui Valério constata um crescente “medo do compromisso” e “um receio de entrega definitiva”. Na Festa da Família, o bispo diz acreditar que “o homem contemporâneo hesita perante a responsabilidade do amor fiel”.

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O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, considera que existe atualmente “uma profunda crise” na família, que descreve como “uma das grandes feridas da sociedade contemporânea".

Na homilia da missa deste sábado, na Festa da Família, que decorreu nas Caldas da Rainha, recordou “números” que “falam de forma impressionante” sobre o casamento.

“No ano 2000, celebraram-se no Patriarcado de Lisboa 7633 matrimónios. Em 2025 celebraram-se 2092. Não absolutizamos estatísticas, mas elas revelam um sintoma profundo: cresce o medo do compromisso, o receio da entrega definitiva, a dificuldade em assumir a doação da vida como caminho de felicidade”, afirmou.

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De acordo com o bispo de Lisboa, “esta crise nasce sobretudo de uma cultura marcada pelo descartável”.

“O homem contemporâneo aprende facilmente a consumir, mas dificilmente aprende a permanecer. Aprende a experimentar, mas teme entregar-se. Aprende a reivindicar direitos, mas hesita perante a responsabilidade do amor fiel”, sublinhou o patriarca, que acrescentou, ainda, que “sem fidelidade não existe família”.

Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Festa da Família, nas Caldas da Rainha, com o patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. Foto: Ana Catarina André/Renascença

Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença
Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. Foto: Ana Catarina André/Renascença

"Nenhuma família permanece sem fidelidade"

Diante de centenas de fiéis, muitos dos quais casais que celebraram 10, 25, 50, 60 ou mais anos de matrimónio (em 2026), D. Rui Valério disse ainda que “a família nasce quando alguém aceita sair de si mesmo para viver para outro; quando alguém compreende que amar não é possuir, mas oferecer-se”.

O patriarca lembrou, na homilia, que “misericórdia e fidelidade” são “palavras fundamentais para toda a família cristã”. “Nenhuma família vive sem misericórdias, porque todos falhamos, todos temos limites, todos precisamos de recomeçar. E nenhuma família permanece sem fidelidade, porque amar é permanecer quando é mais difícil.”

Neste dia em que o Patriarcado de Lisboa organizou a Festa da Família, D. Rui Valério fez questão de enfatizar que este evento “proclama ao mundo uma esperança”. “Afirma que ainda vale a pena amar para sempre. Que vale a pena construir uma vida comum.”

À Renascença, Rui e Sandra Ramos, diretores da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa, sublinham que este é um momento de celebração. “É muito bonito ver tantos casais a celebrar 10 ou mais anos de casamento. Aliás, perante a realidade, hoje celebrar 10 anos de matrimónio é quase um feito maior do que aqueles que celebram 50 ou mais. Nós não somos exemplo, mas podemos ser testemunho e aí podemos realmente mostrar que o projeto de Deus vale a pena e é para todos”, diz Sandra Ramos, que sublinha a importância de as pessoas se sentirem acolhidas e acompanhadas na paróquia.

Entre as dificuldades que as famílias hoje enfrentam está a “falta de resiliência e falta de compromisso”, diz Rui Ramos. “Vivemos numa sociedade de consumo, ou seja, as pessoas querem algo no imediato, e isto obviamente ataca a raiz da família.”

“Cada vez mais há uma perda do sentido do humano”

Em declarações à Renascença, à margem do encontro, o Patriarca de Lisboa disse, ainda, que as famílias enfrentam hoje o risco de que “cada vez mais a ótica com que se olha para as pessoas seja na continuação da maneira como abordamos uma máquina”.

“Cada vez mais há ao nível da consciência e do comportamento uma perda do sentido do humano”, frisou, dizendo que parte se deve “à massificação da tecnologia”.

A propósito ainda das razões subjacentes à desumanização, D. Rui Valério lembrou que atualmente “a vida religiosa é feita a correr, muito na superfície”, o que também se repercute “na vida afetiva, familiar, relacional”.

“Depois, há um outro fator: a própria sociedade, ao nível daquilo que são os valores que a própria sociedade gera e propõe não é muito pró-família, antes pelo contrário.”

Questionado pela Renascença sobre a greve geral agendada para a próxima semana contra as alterações à lei laboral, o Patriarca de Lisboa voltou a sublinhar a importância do diálogo. “Todos têm de estar sintonizados pelo menos num ponto: o enobrecimento do trabalho e o enobrecimento do trabalhador”, disse.

“Provavelmente é uma perspetiva já superada pelo tempo: (...) que haja uma concomitância, um acordo, um pacto. Todos têm de estar sintonizados, pelo menos, num ponto: o enobrecimento do trabalho e o enobrecimento do trabalhador”.

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